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outubro 25, 2004
Poema anónimo
Vais até à nudez estreme dos sentidos
e nem vês que apagas o azul
desta água entardecida
entre a exacta ave circular
e a carne viva das palavras
que fluem da página dorida.
E o círculo da ave
é tão interior
na alegria da luz
que a albufeira retém o silêncio solar
até que se esgote o policrómico rumor
do poema que estás a desfiar.
Mas nenhuma água é tão perfeita e livre,
tão povoada de voos azuis,
tão compacta de sons incandescentes
como a que ressuma na obscuridade
onde os meus olhos se recolhem
de súbito inexistentes.
É que rente à ferida feliz
que é todo o meu corpo
está o lume do deslumbramento mais atroz
que fere talvez irremediavelmente
se eu não conseguir por algum tempo
receber apenas a tua voz.
(Poeta anónimo, in "Immoderato Instabile"
Publicado por nocturnoplacido às outubro 25, 2004 09:57 AM
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Comentários
Assombroso!
Publicado por: belimunda às outubro 25, 2004 10:41 AM