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novembro 30, 2004
Tito Lívio, "Senhor, Partem Tão Tristes"
Olho-te e calo na garganta a alegria de te ver. De longe te espreito, atento ao menor dos teus movimentos. Quando me encontras afivelas a máscara da indiferença. Porém, só eu sei o que buscas na noite, nessa tua insaciável sede, sou ainda e sempre eu. Como se te tivera comunicado uma estranha e indizível enfermidade. Por isso são ainda as minhas mãos que a tua pele recorda como a boca o sabor dos meus beijos. O que não sabes ou talvez queiras ignorar é que o meu nome se encontra inscrito no teu corpo.
Publicado por nocturnoplacido às 05:30 PM | Comentários (0) | TrackBack
Algo se passa
...mas não sei o que é. O diabo do meu computador hoje tem estado não só lento, desesperantemente lento, como não consigo incluir imagens. E logo hoje que gostaria de arranjar uma imagem animada para dar vivas à amizade, sobretudo a uma que parecia estar a perder fôlego mas felizmente não está. Precisa é de ser mais alimentada, a amizade, com coisas alegres da vida e com temas sérios que ambos estamos a desenvolver. Tá prometido? A pessoa em causa sabe a quem me dirijo. Mas a amizade que hoje queria postar é extensiva a todos os que generosamente se deslocam até ao Pedra.
Publicado por nocturnoplacido às 03:58 PM | Comentários (0) | TrackBack
Um amor que não foi
O tempo que foi novo envelheceu,
não pela idade que durou
mas por aquilo que não foi.
Amor não pode ser obsessão,
nem palavras caladas,
nem ciúme alimentado,
nem energia roubada.
Amor, que foi muito, morreu
por falta do alimento vital.
Se um dia regressasse
encontrava dois novos amantes
só iguais na aparência.
Por dentro seriam outros
tão distantes de ontem
como se mil anos
se tivessem passado.
Publicado por nocturnoplacido às 01:50 PM | Comentários (2) | TrackBack
"Críticos ponderam saída do PCP"
É com este título que o DN de hoje abre a pág. 5. O que ali é relatado, acrescentado de algumas opiniões pessoais, é o que sairá num jornal nacional que há dois dias me entrevistou e onde manifesto a minha profunda discordância no que se refere à intolerância e ao pensamento único. Como não gostei nada de saber que "quem não se sente bem que se mude" ou os críticos que "ponham as barbas de molho", e outras manifestações desagradáveis.
Publicado por nocturnoplacido às 12:03 PM | Comentários (1) | TrackBack
novembro 29, 2004
Da memória
Fechei cofres da memória
que os abro quando quero
nos desabridos nervos da melancolia.
Às vezes inadvertidamente
ou quando me interrogo
para melhor me conhecer,
e fecho-os quando começam a doer.
São mistérios construídos de segredos
de que o tempo apaga o acessório.
E deixo que as àrvores cerquem a nostalgia
suavemente como sendo outono.
Publicado por nocturnoplacido às 01:59 PM | Comentários (3) | TrackBack

Ao aproximar-se o Natal decidi escrever ao Pai Natal. Quero para mim e para os meus amigos muita paz, prosperidade, amor, tranquilidade e felicidade. Não sei se o Pai Natal tem isto tudo no saco e em tão grande quantidade. Cá por mim, e dentro de mim, é o que quero para mim e para todos.
Publicado por nocturnoplacido às 10:52 AM | Comentários (3) | TrackBack
Grandes lojas VS Comércio Tradicional
Recentemente o Município de Beja "chumbou" o aparecimento na cidade de mais três superfícies comerciais de média e grande dimensão. A Associação Comercial congratulou-se. E os consumidores congratulam-se? É pena não haver em Beja uma associação de consumidores, como é pena não haver um levantamento exaustivo que constitua um banco de dados e um observatório para aferir da justeza ou desadequação de se aprovar ou reprovar o aparecimento de novas grandes lojas. Já agora gostaria de conhecer a opinião dos bejenses que visitam este blog.
Publicado por nocturnoplacido às 10:35 AM | Comentários (6) | TrackBack
Mais uma goleada!
Nestes tempos de poucas alegrias sociais e económicas, com um governo que dá vontade de rir, é saboroso para os sportinguistas mais uma goleada, desta vez por 4-1. Bem sei que foi contra uma equipa do fim da tabela mas alegrou-me. Não registo o resultado do Benfica senão o meu filho zangava-se comigo.
Publicado por nocturnoplacido às 10:06 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 28, 2004
Já está!
Como estava programado, Jerónimo de Sousa foi eleito Secretário Geral do PCP. O ritual do Congresso cumpriu-se, com muitas bandeiras e muitos aplausos e quase nenhuma discussão. O meu camarada Lopes Guerreiro, eleito por voto secreto na concelhia de Alvito como delegado ao Congresso, lá subiu à tribuna e as reacções às suas críticas são a demonstração clara de que este Partido não admite críticos. E um partido que se fecha à crítica dos seus próprios militantes é um partido morto. Não me vou alargar muito porque só vim aqui por um bocadinho. Talvez nos próximos dias.
Publicado por nocturnoplacido às 12:07 PM | Comentários (5) | TrackBack
Imaginário IX
Quando senti as tuas mãos
à volta do meu pescoço
e um frémito a percorrer-me o corpo
soube que começava ali,
à luz pálida do teu quarto,
o momento da dádiva mútua.
Teu corpo ofegante abriu-se
às minhas mãos
que navegam como barcos
os lagos do teu corpo.
Beijo-te as coxas
o ventre e os seios
e tu pedes-me mais.
Na sofreguidão que somos
já nada resta que se não faça.
Por fim, a exigência final
que se prolonga até ao êxtase
que não controlamos.
Longamente confundidos
nenhum beijo se perde
até que o sono nos vença.
Publicado por nocturnoplacido às 11:58 AM | Comentários (3) | TrackBack
Dia de chuva
Com este tempo chuvoso não nos apeteceu sair de casa. Fui às compras e vamos fazer almoço e jantar em casa. Ouvir música, ver algum programa de televisão interessante e, claro, namorar para nos conhecermos melhor. O passeio até ao mar fica para outra vez.
Publicado por nocturnoplacido às 11:55 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 27, 2004
Imaginário VIII
No teu meigo olhar
me reencontro,
na tua cintura descanso,
nos teus lábios me sacio,
nos teus seios me perco.
Bebo-te da sede
que me consumia
ao sentir o teu corpo
quente, junto ao meu.
De negro vestida te deito
e ternamente te beijo.
Encontrei a felicidade
e a alegria de viver
no universo que hoje somos.
E a cada dia que passe
será mais forte
como suave é o perfume do teu corpo.
Publicado por nocturnoplacido às 08:06 PM | Comentários (0) | TrackBack
Imaginário VII
Pouco faltava para as nove da manhã quando a campainha da porta deu sinal com três toques rapidamente intervalados. Não esperava ninguém àquela hora e por isso franzi o sobrolho. Abri a porta e fiquei transido de surpresa. À minha frente, deslumbrante, a Inês, toda vestida de negro, cabelo vagamente apanhado na nuca, os olhos e os lábios levemente pintados. "Não me convidas para entrar?". "Claro, claro que sim". "Eu sei que só tínhamos encontro marcado para mais tarde mas quiz surpreender-te. Fica-te bem essa blusa castanha". "Estás encantadora, Inês. Desculpa mas a surpresa foi grande e nem sei o que dizer". "Deixa que sejam os teus olhos a falar...eu já os vou sabendo ler".
A uma curta distância um do outro, demo-nos as mãos e sorrimos. Ficamos assim algum tempo até que o abraço carinhoso aconteceu, de mansinho e quente, primeiro levemente e depois com calor intenso. Naquele momento, ao som de Aeoliah, desejei tê-la comigo sempre assim.
Ensaiamos alguns passos de dança e deixamos que a melodia nos enchesse o coração. Perdi a noção do tempo.
"Quem me dera que já fosse noite para vermos a lua cheia como só nós os dois existíssemos", disse-lhe ao ouvido num quase sussurro. "Vê-la-emos".
Saímos no jipe em direcção ao campo. Estava fresco mas o calor que nos invadia compensava-nos na contemplação da natureza. Paramos junto a uma pequena albufeira com margens lindas e abracei-a pelas costas, aspirando o seu perfume suave. Lentamente virou-se para mim, olhou-me bem nos olhos, e disse-me a meia voz, "sinto que me apaixonei por ti, sinto-o porque penso em ti a cada minuto que passa. Quero ser tua para sempre". Emudeci mas senti que os meus olhos marejavam de felicidade. Tão longe me parecia já a anterior etapa da minha vida. Senti-me feliz por saber que mereço o melhor e que a Inês será a minha estrela. "Eu ouvi o teu silêncio", disse-me antes de me beijar com total entrega.
Publicado por nocturnoplacido às 07:41 PM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 26, 2004

Mesmo com tempo fresco apetece-me ver o mar neste fim de semana, bem acompanhado.
Publicado por nocturnoplacido às 03:21 PM | Comentários (2) | TrackBack
Imaginário VI
Conheço-te
através das palavras/pedras
com que vou construindo este dia novo
que agora se levanta.
Inventei-te no espaço exacto
das minhas mãos
desejosas de viajar
o teu corpo.
Dele direi:
este é o meu país por conhecer
onde ergui minha casa
e inventei um amor
nunca antes pressentido.
Visto-me com as cores do arco-iris
e desenho-te um beijo no poema.
Publicado por nocturnoplacido às 02:57 PM | Comentários (0) | TrackBack
Vinho que vai para vinagre...
Não se pode gostar de quem não gosta de nós, disse-me uma pessoa que muito prezo. E sinto que é verdade. Gastar energias em quimeras é um perfeito desperdício. Ninguém conhece o futuro, mas todos conhecemos o opassado e o presente, e esperar por alguém que todos os dias muda de opinião, a coerência da incoerência, é mais falível que jogar na lotaria. Diz-se que por cada porta fechada três outras se abrem. O mal está em ficarmos agarrados à porta que se fechou e não ousarmos entrar em qualquer das que se abriram.
Um fósforo que arde até ao fim tem de ser deitado fora para não queimarmos os dedos. Apagou-se e não pode voltar a acender-se. Estas são lições que se aprendem tal como se aprende que cada etapa da nossa vida tem um tempo e traz consigo um ensinamento. Como dizia o poeta António Aleixo "vinho que vai para vinagre só por obra de milagre voltará a ser vinho".
Só podemos desejar aos outros, mesmo aos que nos fizeram sofrer, por maldade ou outra qualquer razão, o que de melhor queremos para nós.
Publicado por nocturnoplacido às 10:48 AM | Comentários (4) | TrackBack
E viva o futebol
FCPorto, Sporting e Benfica ganharam os seus jogos internacionais, marcando, em conjunto sete golos e não sofrendo nenhum. Em tempo de desesperança, lá nos vai alegrando as vitórias dos heróis da bola.
Publicado por nocturnoplacido às 09:57 AM | Comentários (1) | TrackBack
Memória
Faz amanhã dez anos que faleceu o maestro Fernando Lopes-Graça. Tinha 87 anos quando nos deixou. Magnífico compositor, coralista, pedagogo e militante comunista, o maestro, que tive o privilégio de o conhecer pessoalmente, era um homem simples que falava baixo e a todos escutava. Figura grande da cultura portuguesa, é bem merecedor das homenagens que estão preparadas em vários locais do país.
Publicado por nocturnoplacido às 09:52 AM | Comentários (1) | TrackBack
Imaginário V
Convidaste-me a ver a lua
do teu terraço.
Redonda, branca e pequena
nesta altura do ano.
Estranhamente não fazia frio.
Encostaste a cabeça ao meu peito
e envolveste-me a cintura.
Ergueste o rosto
e ambos fixamos o círculo branco.
"O que pediste?", dissemos um ao outro
"que este momento fosse eterno",
disseste-me.
Puxei-te mais para mim
e só a lua presenciou o longo beijo.
"Vem", pediste-me
e eu deixei-me conduzir pela tua mão.
A imensa lareira da tua casa
convidava ao amor
a que não nos negamos.
Publicado por nocturnoplacido às 09:30 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 25, 2004
Casa Pia
Deverá começar hoje o julgamento do caso Casa Pia. Ao longo de todo este tempo, em que a justiça não se credibilizou perante as pessoas comuns, em que tantos juízes passaram pelo caso, em que se disse tanta coisa contraditória, em que a medida de coacção da prisão preventiva foi tão escalpelizada, em que figuras públicas estão envolvidas no processo, fica-me a sensação que a montanha vai parir um rato. Ou muito me engano ou vão haver várias absolvições por falta de provas e só o peixe miúdo do tipo Bibi e, eventualmente, um ou outro mais, irão comer pela medida grossa. O resto será a imagem dos brandos costumes. Ou estarei muito enganado.
Publicado por nocturnoplacido às 09:38 AM | Comentários (0) | TrackBack
Imaginário IV
Encontrei-te por dentro das mãos,
na orla do teu sorriso
e nos teus olhos meigos.
Fixamo-nos tão ternamente
como nos esperassemos desde sempre.
Baixaste os olhos sem deixar de sorrir.
Suavemente te aflorei o rosto,
escrevi um verso nos teus cabelos
e os nossos lábios tocaram-se
com um sabor novo.
Demoramo-nos na contemplação do outro
e de mão na mão soubemos
que começava ali o nosso sol.
Publicado por nocturnoplacido às 09:28 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 24, 2004

Uma boa noite para todos, e um acordar pleno de paz, de amor e de felicidade.
Publicado por nocturnoplacido às 08:55 PM | Comentários (2) | TrackBack
Exposição de fotografia
Hoje, pelas 18,30 horas, no Espaço de Exposições do Instituto Politécnico de Beja, com fotografias de Nicola DiNunzio e Luis Filipe Pereira da Silva.
Publicado por nocturnoplacido às 11:54 AM | Comentários (2) | TrackBack
Aumento do seguro automóvel
Parece ser uma exigência da União Europeia o aumento para breve dos valores a preticar nos seguros automóvel. Provavelmemte quem aufere vencimentos europeus considere a medida acertada até porque beneficiará sinisrados. Mas neste canto junto ao mar, onde se ganha mal e porcamente, de certeza que a medida vai mexer nos bolsos dos automobilistas.
Publicado por nocturnoplacido às 11:25 AM | Comentários (0) | TrackBack

Tudo começou assim, com uma conversa fácil com o Paulo Querido, para me alojar na nova casa onde me sinto muito melhor.
Publicado por nocturnoplacido às 09:24 AM | Comentários (0) | TrackBack
Imaginário III
Trazes os cabelos escuros
sobre a blusa vermelha de gola alta
e um sorriso discreto
e confiante.
Faço um café para os dois
e ponho um CD de música
que tu e eu gostamos.
Olhamo-nos enquanto saboreamos o café
neste momento primeiro.
Sorrimos a despropósito
(há no peito um leve tremor)
e tu dizes:
que bem que se está em tua casa.
Mostro-te os quadros,
a colecção de conchas,
os livros,
e alguns poemas que dizes já conhecer
e sorris quase envergonhada.
Seguro-te nas mãos
e assim ficamos longo tempo
até que um leve beijo nos aproxima,
enquanto na rua os carros passam
sem darmos pelo tempo passar.
Publicado por nocturnoplacido às 08:59 AM | Comentários (0) | TrackBack
Dia chave
Ontem foi o dia que há muito vinha pressentindo, embora com uma ligeira interrogação. Falamos verdade, assim o creio da sua parte, e sorrimos como se nada já tivesse importância. O Imaginário III que postarei a seguir é o início da minha reprogramação mental. A partir daí fechei-me por completo para ela, desejando-lhe sorte, prosperidade, saúde e amor. Ela escolheu um caminho oposto, (ainda se verá um dia se de sua livre vontade), e assim será sem mágoas nem rancores. Só as memórias restarão sem que nada as possa tornar reais. Confio em que ela tenha escolhido o seu percurso conscientemente. O meu virá em breve porque já o imagino no sub consciente e sei que será uma realidade.
Publicado por nocturnoplacido às 08:48 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 23, 2004

Para todas e todos os que assim se sentem. Mas cuidado não se deixem apanhar pelos coleccionadores.
Publicado por nocturnoplacido às 04:28 PM | Comentários (2) | TrackBack
Iluminações de Natal
Com elevado esforço financeiro e uma eventual comparticipação da Associação Comercial, começaram os trabalhos de colocação de iluminações de Natal que serão executadas pelos operários da Câmara Municipal e por uma empresa da região. Com algum atraso, é verdade, mas a decisão, face aos orçamentos de que dispunhamos, não pode ser tomada mais cedo.
Publicado por nocturnoplacido às 10:48 AM | Comentários (2) | TrackBack
Do "Diário Económico"
Ao contrário do que o mesmo jornal noticiava há uns dias atrás, os números disponíveis em Setembro apontam para um contributo positivo das autarquias para o défice orçamental do Sector Público Administrativo. Como se tem vindo a dizer não são as autarquias portuguesas as responsáveis pela derrapagem desse défice mas sim a Administração Central. Aqui fica o registo para uma melhor e mais acertada tomada de consciência de todos aqueles que se ocupam ou preocupam com o estado das finanças públicas portuguesas.
Publicado por nocturnoplacido às 10:42 AM | Comentários (1) | TrackBack
Um obrigado
Desde o dia 13 de Outubro o meu blog dispõe de contador. Desde essa data mais de 5100 visitantes passaram por aqui. Quero agradecer a todos e espero que não se tenham desiludido com o que por aqui vou deixando.
Publicado por nocturnoplacido às 10:26 AM | Comentários (2) | TrackBack
Das palavras
Difíceis são as palavras quando te sinto dentro da pele, água que sacie a minha sede e apague este fogo no entanto nunca extinto. Os gestos são meus braços procurando o teu corpo, concha onde me abrigo de tantos vendavais, dos lobos que uivam pelo caminho, deste vazio que é uma noite sucedendo-se a outra noite, a cama desfeita, o silêncio das palavras nunca ditas esmgadas na garganta. Habito o avesso dos dias, tentando adivinhar os exactos contornos, apenas um espaço onde caibam as minhas mãos, dois barcos parados num mar de sargaços e calmaria. Como dizer-te amo-te na cidade dos amantes separados, sem pedras que brotem das mãos nem sinais proíbidos nas esquinas? Como construir uma nova linguagem de cumplicidades erguida? Como desfazer os meus cabelos no teu peito?
Tito Lívio in "Senhor, Partem tão Tristes"
Publicado por nocturnoplacido às 09:09 AM | Comentários (0) | TrackBack
Imaginário (II)
Colho teu rosto na brisa,
suave maçã de sonhos,
e nas asas do que me dizes
desenha-se a Primavera.
Na fímbria da imaginação
aconteces em plenitude
de olhos suspensos nos meus,
corpo no corpo, reluzentes.
Nos desígnios do silèncio
estão as palavras por dizer,
sussurradas umas, misteriosas outras.
Mas estão as palavras,
ou os gestos por elas.
Publicado por nocturnoplacido às 08:56 AM | Comentários (1) | TrackBack
novembro 22, 2004

Para todos aqueles e aquelas que se pelam por beijos
Publicado por nocturnoplacido às 02:16 PM | Comentários (2) | TrackBack
Imaginário
Na tarde
a brisa enovela-se nos teus cabelos
e o perfume das ondas
invade-me o corpo.
As mãos que te percorrem os ombros
trazem o odor da meresia
e o sabor dos teus seios.
É dos limos que o beijo surge
imperfeito por imaginado.
Mas é na brancura da tua aura
que colho o universo inteiro
como nesta página
escrevo o meu desejo.
Publicado por nocturnoplacido às 02:02 PM | Comentários (1) | TrackBack
Mãos vazias de rosas
As minhas mãos vazias de rosas percorrem os ventos de aves loucas em busca de abrigo.
Apetece-me acabar com as belas palavras, dizê-las como elas são como sangue, letra a letra, uma ameaça, um nunca mais.
Também aqui, de mãos vazias, a ausência de tempo no meu corpo esquecido de outras mãos, morto pela manhã, à espera da ressurreição dos nossos corpos. É um dia, nada mais, apenas um dia negro de tantas páginas vividas. De pé só as árvores que não mais darão fruto. De pé só a minha vontade de nunca desistir do amanhã que será sempre melhor
que hoje.
Publicado por nocturnoplacido às 08:39 AM | Comentários (2) | TrackBack
novembro 21, 2004
Morreu o Mestre
Disseram-me ontem que morreu aquele rapaz agarradíssimo à droga que se passeava pela cidade com um skate debaixo do braço ou de bicicleta. Todos o evitavam mas era um ser humano que não teve oportunidade de se restabalecer, ou por falta de vontade ou vá-se lá saber porquê. O corpo foi encontrado com uma seringa espetada e marcas de pancada. Que descanse agora e que para a próxima seja mais feliz.
Publicado por nocturnoplacido às 05:18 PM | Comentários (3) | TrackBack
É muito triste
Ver alguém, por arrogância ou pseudo auto suficiência, desistir de tudo, quiçá da própria vida. Um poucochinho de bom senso, de humildade, de querer autêntico e tudo se resolveria. Desistir é que nunca!
Publicado por nocturnoplacido às 02:00 PM | Comentários (1) | TrackBack
Naquele tempo
As flores juncavam ainda o tapete das horas,
parecendo esperar os nossos passos.
Até ao fundo de nós, era bem nossa
a pele que inventava o nosso corpo.
Carícias subiam pelos rios da alma
com suavidade e perícia.
Os lábios sentiam a polpa das palavras
como um vinho sem margens.
Não se ouviam ainda as brumas do silêncio
e o bolor não esgotara os mistérios do mundo.
Naquele tempo,
não reinavam ainda os relógios do medo,
nestas margens da vida
duvidosas e frágeis.
(Rui Namorado, in Nenhum Lugar e Sempre)
Publicado por nocturnoplacido às 07:53 AM | Comentários (0) | TrackBack
Solene
Solene,
vou ao longo dos poemas
nesta caminhada de Outono.
Nos seus recantos procuro
o sulco de um barco
que rume a sul.
Subo a colina das palavras
pleno de ousadia
e viajo no centro do que sou
num único verso.
Só os versos são uma viagem
a caminho do sul
e das paredes brancas
moldadas pelo sol.
Publicado por nocturnoplacido às 07:49 AM | Comentários (1) | TrackBack
novembro 20, 2004

Um sorriso
Um sorriso não custa nada
e produz muito.
Enriquece quem o recebe
sem empobrecer quem o dá.
Ninguém é tão rico
que não precise dele
e ninguém é tão pobre
que o não possa oferecer.
Um sorriso
dá repouso ao cansaço
e ao desânimo.
Renova a coragem.
e é consolação na tristeza.
Ninguém necessita mais
de um sorriso
do que aquele
que não sabe sorrir.
(chegado recentemente às minhas mãos)
Publicado por nocturnoplacido às 01:57 PM | Comentários (1) | TrackBack
novembro 19, 2004
Apetites

Hoje estava-me mesmo a apetecer um leitão bem tostadinho.
Publicado por nocturnoplacido às 04:03 PM | Comentários (2) | TrackBack
Calinadas finas
Depois de receber um grupo de três cidadãos de Lisboa, elegantemente vestidos e perfumados, que nos vieram propor um "invento" em grande escala, para Janeiro, para o lançamento de um "imprendimento" a relançar em Beja, não posso deixar de dizer que há calinadas e calinadas. Sim porque se fosse o Xico Manel mais o Zé dos Pincéis com aquelas calinadas, eu estava caladinho que nem um rato. Com todo o respeito por estes dois últimos.
Publicado por nocturnoplacido às 03:44 PM | Comentários (3) | TrackBack

Este país está a ficar vrtual. Ouvem-se coisas que não têm correspondência com a realidade. Promete-se o que não se pode cumprir. Ler a comunicação social e viver o dia a dia são coisas tão distintas como o dia da noite. Um poucochinho só de correspondência e eu já não me sentia tão longe.
Publicado por nocturnoplacido às 10:00 AM | Comentários (1) | TrackBack
Tenho fome ...
Tenho fome de palavras plenas
exactas como um sorriso,
concretas, penetrantes.
Porque não basta respirar
para assumir o tempo.
Preciso de escrever para sentir
a ondulação do dia
e o aroma das lonjuras.
Escrever para sentir
a forma ondulada de um ombro,
os lábios ávidos de um beijo.
Preciso de palavras exactas
mesmo cruéis como um crime
para sentir a vida
e o seu sentido inexorável,
para cavalgar no tempo
corcel lustroso e violento.
Publicado por nocturnoplacido às 09:02 AM | Comentários (4) | TrackBack
A uma mulher imaginada
Queria dizer amor
mas não sinto.
Queria falar verdade
mas minto.
Antes o silêncio
dos olhos baços que não traem,
fieis no que te digo,
sem palavras,
para que tu as adivinhes.
É melhor assim
descobrir-te devagar
ou esperar que me ilucides
com o teu sorriso discreto
e olhos negros sonhadores.
Prefiro amar-te um dia
quando o tempo for azul
e as mãos falarem por nós.
Publicado por nocturnoplacido às 08:57 AM | Comentários (0) | TrackBack
Sem título
Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração
(António Ramos Rosa, in A Palavra e o Lugar)
Publicado por nocturnoplacido às 08:50 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 18, 2004
Mulheres
Eu que gosto de mulheres inteligentes, com espírito de humor, bonitas por dentro e por fora e com mãos que apetece tocar, tive um fim de tarde com mulheres (os homens eram meia dúzia) que se afastam muito dos meus ideais. Claro que algumas até seriam inteligentes e bonitas por dentro, não cheguei a fazer o chek up a todas, mas a planta exterior não foi convidativa para uma conversa que não fosse de ocasião. Paciência.
Publicado por nocturnoplacido às 06:06 PM | Comentários (1) | TrackBack
Que dia!
Eu que gosto das coisas programadas (mas também gosto dos imprevistos) comecei o dia com formigueiro nos dedos por saber que tenho uma (só uma!) reunião, que sei quando começa mas não quando acaba. Irrita-me.
Trabalhar no Orçamento quando as receitas diminuem e as despesas tendem todas a aumentar, obriga a tomar opções antipáticas e a fazer cortes em áreas que bem gostaria de aumentar. Por acaso não haverá por aí alguém que me arranje uma mèzinha que faça multiplicar os euros
para ver se não acabo a tarefa com os nervos em franja?
Publicado por nocturnoplacido às 12:13 PM | Comentários (4) | TrackBack
A Voz
Oiço uma gaivota piar,
o mar a dançar ao seu tom,
a espuma em surdina
a brincar.
É o vento que me diz
segredos eternos,
sem som.
Escuto a Voz
que não grita, que não fala
mas me diz, sem me dizer
que as palavras não sabem
o que é importante saber.
No centro de cada onda,
no fundo de cada mar,
nas gotas frias da espuma
reza a música eterna
que me embala
porque eu pressinto,
quando o silêncio não pesa,
que há uma sonata de amor
no meu próprio coração.
Publicado por nocturnoplacido às 09:07 AM | Comentários (0) | TrackBack
Sem título
O futuro não precisa de ti.
Sem ti o futuro vai a algum lado, sim.
O futuro chegará independentemente de o desejares muito ou pouco.
Até mesmo que ele te assuste, que não o queiras, que o odeies,
ele virá, contra os teus medos, contra a tua vontade, contra as tuas razões.
O futuro é já aqui. O futuro é mais adiante.O futuro
não tem, sequer, lugar. O futuro tem tempo.
Tu é que talvez não tenhas tempo para o futuro.
Amanhã será futuro. Hoje é futuro. Ontem foi futuro.
Há sempre futuro no tempo. Todo o tempo é tempo de futuro.
Por isso o futuro não precisa de ti.
Em ti há cada vez menos futuro.
Porque cada vez há mais futuro fora de ti.
Cada vez mais há so futuro, futuro, futuro.
O futuro não é um sítio onde te inscrevas.
O futuro não é um tempo em que te inventes.
O futuro não é um modo de que te lembres.
O futuro ainda não existe. E tu, que existes,
existes fora do futuro.
(Poema de Joaquim Pessoa, in Vou-me Embora de Mim)
Publicado por nocturnoplacido às 08:55 AM | Comentários (1) | TrackBack
novembro 17, 2004
Boa noite a todos

Desejo a todos uma noite estrelada e cheia de vigor.
Publicado por nocturnoplacido às 06:43 PM | Comentários (2) | TrackBack
Outono

É assim que eu me quero e aos outros neste Outono: com uma luz branca intensa a iluminar cada um dos dias.
Publicado por nocturnoplacido às 04:03 PM | Comentários (1) | TrackBack
Agradecimentos
Ao entrar nesta nova casa quero agradecer toda a ajuda que me foi dada pelo Paulo Querido, pelo João Espinho e Pela Madalena Palma. Eternamente reconhecido pela vossa boa vontade.
Publicado por nocturnoplacido às 12:59 PM | Comentários (5) | TrackBack
Gostava que hoje fosse um dia especial
Hoje é dia 17 de Novembro e qualquer pessoa o sabe. Até aqui nada de especial. Só que eu gostava imenso que fosse um dia especial. Não direi agora porquê porque se trata de uma cumplicidade. Nem sei se o direi depois. É tudo uma questão de saber quão especial ele terá sido também para mim. Desculpem lá esta baralhada.
Construido por pedra at 10:48
1 Comments:
belimunda said...
Se não esperares mais do que aquilo que os outros te podem e sabem dar, será concerteza um dia especial. Tudo depende de ti a da tua boa vontade. Boa sorte.
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Conferências do Pax Julia
A Conferência de ontem, na Biblioteca, sobre o Pax Julia, "Progamar o quê e para quem?" foi, do meu ponto de vista, útil e esclarecedora porque quer o Miguel Lobo Antunes quer o João Aidos, quer três ou quatro intervenientes, focaram aspectos da programação que são, de facto, mais complexos do que à primeira vista podem parecer. Desde a Missão do Pax Julia, seus critérios e metodologias, o papel transformador e formador de públicos que o teatro deve desempenhar, a "dimensão" e a sua adequação dos espectáculos à realidade local e regional, a equipa de trabalho, a independência do programador, o sempre eterno problema dos custos de funcionamento e da programação e o papel que cabe ao Estado e à autarquia, as relações programador/criador, o contrato-programa entre a CMB e o Pax Julia, os critérios das bilheteiras para equilíbrio, tanto quanto possível dos orçamentos, a possibilidade da existência de um conselho artístico, o papel fundamental da comunicação, e tantas outras áreas de manifesto interesse deixaram, concerteza, a noção mais exacta do delicado problema de programação dos espectáculos.
Não foi a primeira vez que os serviços culturais do Município e eu próprio temos discutido estes vários aspectos, mas foi importante que as várias dezenas de interessados se inteirassem da complexidade do tema.
Aguardo com expectativa a segunda conferência do próximo dia 7 de Dezembro. Caminhando, e com tempo, haveremos de encontrar soluções justas e ajustáveis ao bom funcionamento do Pax Julia.
Construido por pedra at 09:12 | 0 Pedras Atiradas
Segunda-feira, Novembro 15, 2004
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novembro 15, 2004
A Viagem
Não quero trocar
o tanto que tenho
pelo incerto de desvendar.
Não irei viajar
calcorrear o mundo imenso
se tenho tudo dentro de mim
ao alcance da minha vontade.
Não irei provar a maçã envenenada,
vencer corsários e ladrões,
embalar-me no mar de espuma.
Não! Quero somente sentir
e trilhar a caminhada
como eu a imagino:
ouvir os segredos do vento,
decifrar as palavras por dizer,
possuir-me da força que sinto
e abstrair-me do tempo,
do espaço e das coisas.
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Crepúsculo no Parque
Por detrás das árvores do Parque o sol do entardecer é um rio de lava vermelha que mergulha no horizonte, engolindo cores, espaços e tempos.
Vermelhas as nuvens e escuras as árvores, são o contra luz com riscos negros de sombras esbatidas. A melancolia do pôr-do-sol que desce das alturas cobrindo o ar de silêncios, transformou-se em energia possante para o dia que há-de nascer.
Neste Outono solarengo a luz vermelha desmaiada do fim do dia recorta contra o céu pálido de azuis as árvores vivas do Parque. Ao longe, nos campos ainda castanhos, só espassas ervas salpicadas de verde ondulam em silêncio. E as sombras já despertas gargalham por mim a dentro como esperanças translúcidas a animar a passarada que se acolhe ao abrigo das árvores.
Publicado por nocturnoplacido às 09:25 PM | Comentários (0) | TrackBack
6 a 1 é demais!
O meu Sporting, de vez em quando, dá-me estas alegrias. Até houve uma pessoa que eu não esperava que me deu os parabéns pelo meu clube.
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novembro 14, 2004
Olá pessoal!
Ainda o sol não se pôs e já estou de volta a Beja. Se quiserem saber passei um domingo deslumbrante numa das praias do Algarve que mais gosto, com uma temperatura a pedir manga curta e uma vazante pela manhã verdadeiramente fabulosa.
Meditei, reencontrei-me e inspirei-me. Sinto-me com as baterias mais carregadas e um sorriso quase pateta dentro de mim.
No regresso, pela antiga IC1, em velocidade de passeio, ultrapassou-me um carro verde, grande, com a plataforma interior do vidro trazeiro forrada a carpélio (lembram-se daquela coisa peluda de nylon?) e dois cães castanhos com a cabeça a dar a dar. Não me contive e ri-me durante um par de quilómetros. Parecia que o tempo tinha recuado vinte ou trinta anos.
Pelo caminho vinha engendrando esta coisa parecida a um poema:
Eu sentado
sozinho,
espécie quase única,
naquele areal dourado
batido pelo sol
deste Novembro de S.Martinho;
eu pensando em mim,
eu com o mundo inteiro,
eu e as memórias,
eu e a vida,
por ali fiquei sem relógio
até a sede me vencer.
Superei-me,
fui mais além
e segui por dentro de mim
mais experiente e sabedor,
com outros anseios
e mais vontade
para amanhã.
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novembro 13, 2004
Um bom fim de semana
Depois de uma sexta-feira algo atribulada, embora já completamente recomposto: a meditação e a compreensão de mim fazem milagres, não tenho nada de especial para escrever até porque tenho de rever as provas do próximo livro. Desejo-vos, a todos, sem excepção, um fim de semana alegre, em paz e muita tranquilidade.
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novembro 12, 2004
Desemprego
É uma notícia do Diário Económico de hoje. "A taxa de desemprego fixa-se em 6,8% e atinge o valor mais alto desde 1998. O número de desempregados fixou-se em 375,9 mil indivíduos, mais 12,1% do que no mesmo período do ano anterior."
Digo agora eu: se a tão propalada retoma da economia obedece a esta lei de que é preciso mais desemprego, confesso que não sei como as pessoas a irão sentir nos seus bolsos. Os números são sempre frios e facilmente nos esquecemos que estamos a falar de pessoas como nós. Imagina-se a angústia e o desespero de tanta gente que de repente fica privada do seu meio de subsistência? Vamos ficar de braços caídos à espera de um hipotético milagre? Quem manda, afinal, neste país? As grandes empresas e os grupos económicos com a cobertura dos governos? E os portugueses está-lhes reservado o papel passivo de espectadores?
Publicado por nocturnoplacido às 10:22 AM | Comentários (2) | TrackBack
Cidade muralhada
Meu recato fica algures
nesta cidade muralhada
sem mar para viajar;
não vejo barcos
nem cordame para velejar.
Nesta cidade muralhada
meu corpo esquecido
aguarda a incerta poesia
de um olhar
ou de uma gaivota
de cabelos de vento
para com ela dançar.
Leve-me o vento
para onde o lume não queime
mas ilumine.
Leve-me no seu voo
a gaivota corajosa
em busca da maré nova
até onde nada me alcance.
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Publicado por nocturnoplacido às 09:36 AM | Comentários (0) | TrackBack
Viagem
Viajo no interior de mim para me descobrir no espelho ou na página e desdobro-me nos outros para saber quem sou. Atarefo-me amiúde na descoberta do outro à procura de idílicos tesouros mas volto sempre para o sortilégio dos segredos do vento que faz espumar o mar.
Vejo-me num promontório de mãos postas ao sol e ser possuído pela força imensa da mãe terra esquecido do tempo. É a beleza única da Deusa que não sei descrever. Continuo a viagem e só me reencontro na página branca antes do poema.
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Publicado por nocturnoplacido às 08:37 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 11, 2004
Rasgão luminoso
Os meus dias escoam-se
como o passar das páginas
de um livro já lido.
Têm as palavras decoradas
como uma sinfonia
de tantas vezes ouvida.
Mas cada um é distinto
e melhor
e caminham para um livro
por escrever
com palavras novas
e novos perfumes:
rasgão luminoso
que fenderá a noite escura.
Publicado por nocturnoplacido às 02:55 PM | Comentários (2) | TrackBack
Decisões
Não sei dizer se é decisão recente. Lembro-me sempre do Dalai Lama que dizia que o pior que lhe podia acontecer era ter que tomar uma decisão. A que tomava num momento, apetecia-lhe mudar em momento seguinte. Pessoalmente não temo a tomada de decisões porque as pondero cautelosamente, mas no momento exacto sinto-me sempre um pouco inseguro por não saber se possuo todos os elementos indispensáveis a uma tomada justa de decisão. Mas a que transmito hoje já andava a germinar há alguns dias. E transmiti-a calmamente, de olhos nos olhos, com uma total consciência e tranquilidade. E fi-lo porque acredito que tudo se consegue se soubermos acreditar que o amanhã depende muito da nossa vontade sincera e alicerçada em conceitos que acredito pertencerem âs leis do universo, à harmonia e felicidade dos seres humanos.
Publicado por nocturnoplacido às 09:46 AM | Comentários (5) | TrackBack
Dia excepcionalmente calmo
Num dia anormalmente calmo, dediquei parte da manhã a fazer Reiky, que me dá uma grande tranquilidade, e a ultimar o segundo livro de poesia que já tem nome - "Sol Incendiado" - e será editado pela Huguin, tal como o primeiro. A capa está catita, a partir de uma fotografia minha de um pôr-do-sol e com alguns artistas a colaborar. São cerca de 130 poemas cuja distribuição ao longo do livro não está muito aprimorada. O primeiro poema traduz exactamente a emoção do dia do lançamento do primeiro livro e é muito especial para mim. Espero que por volta do final do ano esteja cá fora e espero ainda reunir alguns amigos para o acto do lançamento que deverá ser na Biblioteca. Mais perto da data aqui deixarei alguns pormenores.
Publicado por nocturnoplacido às 09:19 AM | Comentários (4) | TrackBack
Uma chegada
A Delmira chegou ontem à noite. Já tinha saudades dela e da sua bondade. Fui-lhe dar um beijo e senti-me muito bem por lhe ter testemunhado o meu carinho.
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Publicado por nocturnoplacido às 09:16 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 09, 2004
Sítios obscuros
Há aves minúsculas
de corpo denso
a trazer-me a noite
que é vida ausente de espanto.
As ilusões nocturnas
gravitam longe
nas estrelas.
Só no sonho as reinvento,
na carne esvoaçando
com os limites da cinza.
Penumbras sem espasmos,
sítios obscuros
tão negros
como no corpo os tenho.
Publicado por nocturnoplacido às 08:33 PM | Comentários (1) | TrackBack
De rosa em punho
Queria um poema
onde navegasses
sobre as águas
deste mar por refazer.
Ninfa ou Tágide
pouco importa
desde que nas mãos
tivesses a rosa
que de espinhos me mataram.
No rosto o sol
e flores nos cabelos,
branca como a lua
a amortalhar-me docemente
neste papel em branco
onde o poema já não existe.
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Publicado por nocturnoplacido às 08:28 PM | Comentários (0) | TrackBack
Sem título
esta pedra
onde convocamos
o amadurecer
do sol
a remota
areia
na palma dos olhos
deslembrados
um fio de giz
(um fio apenas)
na lousa
do momento
José Manuel Mendes, in Presságios do Sul (Caminho da Poesia)
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Publicado por nocturnoplacido às 08:23 PM | Comentários (0) | TrackBack
Eu bem desfraldo uma
Eu bem desfraldo uma bandeira grande... não me digam mais nada!
Publicado por nocturnoplacido às 04:53 PM | Comentários (3) | TrackBack
Agradecimento
Quero agradecer-lhe, João (Nikonmam),pela ajuda em ter contactado o Paulo. Ele enviou-me um mail a que já respondi e agora é só aguardar que me responda a si ou a mim. Mais uma vez obrigado.
Publicado por nocturnoplacido às 04:05 PM | Comentários (1) | TrackBack
Motivação
Tenho tentado ao longo de mais de duzentos posts, nestes poucos meses na blogosfera, transmitir emoções e sentimentos, pequenos apontamentos do quotidiano, algumas opiniões, mas sempre com a motivação principal de dar a conhecer um pouco o ser humano que está por detrás do homem público que desempenha funções políticas. Normalmente é esse o homem que as pessoas conhecem e algumas estimam, mas tenho-me esforçado por mostrar a outra face, aquela que, no fundo, só muito poucos conhecem e que dá substância ao homem público. Não sei se o terei conseguido mas, pelo menos, esforcei-me.
Publicado por nocturnoplacido às 03:21 PM | Comentários (10) | TrackBack
Basta um sinal
Não sei se sonhei a dormir ou acordado. Tudo se passava num lugar estranho, talvez numa vida que a memória não regista. Fazia muito frio e era noite e no cubículo de madeira as vidraças estavam partidas. Havia uma pequena lareira com um pote de barro a fumegar e o frio cortava como vidro. Falávamos outra língua e estávamos rotos e de joelhos nus. Abraçavamo-nos fortemente com medo e frio. Lá fora, muito ao longe, ouviam-se bombardas dispersas, ou seriam trovões? Estavas lívida e tinhas os cabelos negros desalinhados para esconder o pavor do olhar. Afagava-te o rosto e dizia-te palavras que não entendia e cada vez te aconchegavas mais a mim. Não sei se eras minha irmã ou minha amada. O frio e o medo não dava para distinguir. O nosso futuro era aquele presente de pesadelo.
Uma luz suave e um tanto inesperada entrou pelo lugar dos vidros partidos. Levantamo-nos lentamente e a medo percorremos os três passos que nos separavam da porta semi destruída. Era uma estrela que brilhava na negrura da noite e nós acompanhámo-la.
Quando nada se tem e nada se sabe, qualquer sinal nos dá alento para caminhar.
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Publicado por nocturnoplacido às 09:56 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 08, 2004
Entre o real e o imaginário
Às vezes choramos
encostados a uma saudade
ou entristecemos
eivados de melancolia.
Outras vezes voltamos
numa dor distante
sem razão de ser.
É assim o tempo
dividido entre o real e o imaginário,
sentimo-nos cercados
e lamenta-se o tempo perdido.
É tempo de romper com tudo,
é tempo de libertar
as imagens e as palavras.
É tempo de unir o peito
a outro peito
e fingir que tudo é perfeito.
Publicado por nocturnoplacido às 11:15 PM | Comentários (3) | TrackBack
Viver sozinho
Esta coisa de viver sozinho numa casa alugada não deixa de ter as suas vantagens. Significa viver solitário mas não exactamente em solidão. Os homens como eu que não primam pela arrumação da casa acabam por ter de arranjar uma colaboradora (vulgarmente chamada mulher a dias) e foi o que fiz e em boa hora o fiz porque é uma pessoa impecável, trabalhadora, organizada e, ainda por cima, muito minha amiga. É uma espécie de confidente e tem uma particularidade rara: tem uma enorme sensibilidade e um sentido da vida que não lhe permite outra coisa que não seja tratar toda a gente sem maldade, nem invejas. É brasileira, chama-se Cléu, e não deixa de me dar os melhores conselhos nesta nova fase da minha vida. Prestável e boa ouvinte, é incapaz de trazer conversas de outras casas onde trabalha. Só sonha com o regresso ao Brasil que traz no coração mas sabe que não o poderá fazer tão cedo. Tem uma filosofia de vida notável e só se sente bem quando o bem triunfa sobre o mal. É fantástica esta mulher que tem passado por duras provações na sua vida. Abençoada Cléu que tanta me ajuda.
Publicado por nocturnoplacido às 01:50 PM | Comentários (6) | TrackBack
Decisões
Logo pela manhã uma pessoa transmitiu-me, em primeira mão, algumas das suas decisões recentes. Confesso que relativamente a uma delas a achei excessiva dado que é sempre possível o diálogo, sobretudo com pessoas que nos são muito próximas e decisões tão drásticas podem ter reflexos negativos. Uma das qualidades que aprecio numa pessoa é a tolerância e o bom senso e nunca os impulsos emotivos, por muitas razões que existam. Pondera bem, analisa o problema sobre todos os pontos de vista e, por muito que custe, a família é um núcleo que não pode ser desfeito por mal entendidos ou falta de comunicação. Aguarda mais alguns dias e vais ver que o cenário é outro. Confio no teu bom senso.
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Publicado por nocturnoplacido às 01:36 PM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 07, 2004
Rescaldo do Encontro
Gostei sinceramente do que ouvi e eu fui muito mais para ouvir e aprender, porque era o meu primeiro encontro. Aliás ainda pedi a palavra por duas vezes mas não era para dizer mais nada do que aquilo que escrevi num post anterior. Foi óptimo ter conhecido o Paulo Querido e ter a possibilidade de mudar de casa. Gostei do almoço e da conversa e os meus parabéns pela organização.
Publicado por nocturnoplacido às 01:52 PM | Comentários (2) | TrackBack
novembro 06, 2004
Mudanças
Depois do encontro de blogs que terminou há poucas horas, vou mudar de casa. A seu tempo enviarei avisos à navegação.
Publicado por nocturnoplacido às 07:54 PM | Comentários (3) | TrackBack
Resultado de um desafio
Do desafio que há alguns dias a Belimunda me lançou, aqui fica o poema colectivo que tem parte minha, a primeira, parte da Ninagasol e duas partes da Blimunda. Acho que ficou bonito e obrigado por termos conseguido.
Na praia deserta
daquele fim de Verão
só os pássaros
e uma figura solitária
rompiam o nevoeiro matinal.
Uma leve brisa
impregnava o seu rosto
anunciando a beleza da lua.
As suas pegadas na areia
iam desaparecendo
por ondas suaves
que o mar devolvia.
Com elas a certeza
do eterno recomeço.
Tão sem memória.
COMMENT:
AUTHOR: Alma de Poeta
DATE:11/7/2004 09:11:02 PM
O Poema ficou realmente lindo. Parabéns ás autoras.
Já passei os olhos aqui pelo teu blog e fiquei fã.Linkei-te.
Um beijo
Publicado por nocturnoplacido às 06:20 PM | Comentários (1) | TrackBack
Encontro de blogers
Por ser finalmente o dia do anunciado Encontro, e porque não sei se terei oportunidade de dizer o que aqui vou escrever, gostaria de começar por dizer que há cerca de um ano, alguns colaboradores me alertavam para a exisência de alguns blogs que se dedicavam a tecer fortes crticas à Camara Municipal. São muitos? perguntei. Alguns. E alguém lê "isso"? Algumas pessoas lerão. Decidi não ligar muita importância até que um dia, em Abril já deste ano, uma dessas colaboradoras me anunciou ter criado o seu próprio blog. Intrigado, não dei muita importância ao assunto mas comecei a visitar alguns. Dois meses depois criei o meu próprio que apaguei algum tempo depois para retomar com outro nome. Acabei por me viciar na blogosfera e a perceber muito do que me escapava.
Hoje, com mais de 200 posts publicados, cheguei a um ponto que o blogspot não me dá garantias de qualidade, é lento e eu preciso de mais. Razão porque me encontro numa encruzilhada: Ou me mudo para o Weblog com muito mais ferramentas e capacidades e darei continuidade ao blog; ou isso não será possível e dificilmente aguentarei ter de esperar horas para publicar um post e, nesse caso, o melhor é acabar com a aventura. Não terá que ser assim tão drástico porque a verdade é que sou hoje um militante da blogosfera ainda que com recursos muito limitados mas teria de ponderar muito seriamente a continuidade ou não do Pedra a Pedra.
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Publicado por nocturnoplacido às 11:25 AM | Comentários (0) | TrackBack
Às vezes
Devo confessar que às vezes me sinto inseguro das decisões que tomo. Refiro-me às da minha vida. E das outras também. Mas a última que tomei, vem na sequência lógica de três outras, no mesmo sentido, que já havia tomado há dias. É provável que tenha chocado um pouco, ou talvez tenha sido um alívio. Mas tomei-a em consciência. Pelo menos na consciência conjuntural que me rodeia. Mas como não sou de ideias fixas, até admito que me tenha enganado. O tempo o dirá.
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Publicado por nocturnoplacido às 10:31 AM | Comentários (0) | TrackBack
Bar
Fechei o guarda chuva da noite
e entrei no bar
para ver gente e emborcar um copo.
Para quê? Não quero esquecer nada!
Encandeiam-me os faróis de um carro
e eu ponho-me a pensar
que vou eu fazer ao bar?
falar de quê? de mim não me apetece.
Prometi ser mudo
sobre a minha vida.
Afinal quem determina a minha vontade?
Eu ou os outros?
Saí ao fim de um uisque
que me soube mal.
Melhor seria o sono
que por mim esperava.
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Publicado por nocturnoplacido às 09:37 AM | Comentários (0) | TrackBack
Uma velha
Uma velha rezava o terço
ou passava o tempo na ladaínha.
Perguntei-lhe com os olhos
porque rezava.
Por ti meu filho, que sofres.
Foi o que os seus olhos me responderam
ou quereria dizer-me:
não me chateies?
Para o caso tanto faz,
se sofro é porque mereço
se a chateei não tinha o direito.
Será que ela rezava
porque sabia perto o caixão?
e eu que tenho o meu algures
no sítio que me está destinado
porque não rezo como a velhinha?
se um dia serei um chato dum morto?
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Publicado por nocturnoplacido às 09:29 AM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 05, 2004
Factos não confirmam notícias
Afinal, há desmentidos sobre a morte de Yasser Arafat. Em termos humanos fico satisfeito, já em termos políticos o seu estado de saúde faz mexer muita coisa no médio oriente. Que seja no bom sentido é o que os amantes da paz esperam.
Publicado por nocturnoplacido às 09:58 PM | Comentários (1) | TrackBack
Porque será?
Hoje "tive" uma ministra de manhã e um ministro à tarde. A manhã foi excelente, bem disposto, quase divertido. À tarde sobreveio a tristeza. Será do tempo ou dos tempos. Ainda não arranjei antídoto para estas súbitas mudanças de humor. À noite vou beber um copo para ver se levanto o astral, aconselhado por várias famílias.
Publicado por nocturnoplacido às 07:09 PM | Comentários (3) | TrackBack
Soneto
Tempo das cerejeiras agressivas
A avançar pelo meu quarto dentro.
Velho tempo das noites explosivas
Em que o sangue crescia como o vento!
Tempo - aproximação das coisas vivas,
Do seu hálito doce, violento.
Tempo - horas e horas convertidas
No ouro raro e inútil dum lamento...
Tempo como ferida no meu lado,
Coração palpitando sobre a lama.
Tempo perdido, sangue derramado,
Resto de amor que se deixou na cama,
Horizonte de guerra atravessado
Pelo corpo audacioso duma chama.
Alexandre O'Neill, Poesias Completas, Assírio e Alvim
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Publicado por nocturnoplacido às 06:46 PM | Comentários (0) | TrackBack
Quiz oferecer-te uma flor
Quiz oferecer-te uma flor pela manhã de hoje mas a chuva molhou-a. Acho que ficou mais bonita
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Publicado por nocturnoplacido às 05:12 PM | Comentários (0) | TrackBack
novembro 04, 2004
Notícia confirmada?
Tudo parece encaminhar-se para a sua confirmação: Arafat morreu! É um acontecimento triste para os palestinianos que perdem o seu líder histórico e é igualmente triste o desaparecimento de uma figura prestigiada em todo o mundo e que nos deixa interrogações sobre o que irá acontecer naquela zona do mundo. Que perturbações internas irão ocorrer no seio da OLP, como reagirão Israel e os Estados Unidos para a construção da paz no Médio Oriente e como reagirão os povos e paises àrabes? Interrogações que me deixam preocupado porque não me parece que a política de Ariel Sharon sofra alguma inflecção. Vamos aguardar.
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Publicado por nocturnoplacido às 07:46 PM | Comentários (0) | TrackBack
O lugar é outro
O lugar a que se volta
é sempre outro.
Não serei prisioneiro
dos lugares por onde andei.
Esta mesa de trabalho
não é a mesma
agora que só escrevo para mim.
Outras emoções
e os cenários são diferentes.
Mudou a cor da cerejeira
que agora é indefinida
e isso não me afecta.
Arrumei os papeis e os livros
como arrumei o que me perturbava
e eis-me distante
dum percurso que já não quero.
Restam migalhas no peito
e na mesa onde escrevo.
Sobra-me vida e alento
para escrever novas páginas.
Publicado por nocturnoplacido às 07:31 PM | Comentários (2) | TrackBack
Depredação gratuita
Segundo o "Público", caçadores mataram a última fêmea de urso pardo originário dos Pirinéus. Para quê? Vivemos melhor assim?
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Publicado por nocturnoplacido às 04:11 PM | Comentários (0) | TrackBack
Um dia diferente
O dia de hoje é especial. Vou oferecer duas rosas a uma pessoa especial para comemorar uma efeméride que peço desculpa por não divulgar.
Especial também porque a tristeza de ontem deu lugar a um arrumar de ideias, de emoções e de vivências que, obviamente, não serão para esquecer mas terão na memória o seu lugar destacado. Interiorizo com tranquilidade, sem angústias nem mágoas, o lugar que me está reservado na vida e quero vivê-la em plenitude, com as alegrias e os sofrimentos que fazem parte da nossa caminhada.
Felizmente não cultivo ódios, rancores ou invejas e partilharei com os meus especiais amigos todos os pensamentos e acções benignas de que for capaz, sabendo de antemão que esse escol será sempre relativamente reduzido, já que é prudente ser comedido sem deixar de ser humilde mas prestativo, sobretudo para a pessoa mais importante da minha vida afectiva, àparte, obviamente, os meus filhos que adoro. E é a eles que me dedicarei com mais entusiasmo porque embora já sendo adultos serão sempre os meus meninos.
Publicado por nocturnoplacido às 09:16 AM | Comentários (4) | TrackBack
novembro 03, 2004
Hoje estou assim
Recebi uma notícia/presságio que me deixou triste. Passará depressa.
Publicado por nocturnoplacido às 04:21 PM | Comentários (5) | TrackBack
Uma pequena esperança perdida
Parece que tudo se confirma para a vitória de Bush nas eleições americanas. Pessoalmente tenho receio que se acentue a radicalização da administração norte-americana na via do unilateralismo, acentuada com a saída de Collin Powell, uma espécie de voz mais moderada no anterior governo. Os estados europeus apostaram em John Kerry não tanto porque algo de muito substancial pudesse mudar, mas havia uma ligeira esperança de uma maior aproximação às posições europeias em matéria de luta contra o terrorismo, nomeadamente. Sinceramente, não acredito que este próximo mandato do pior presidente de sempre dos Estadoa Unidos venha a ter algumas inflecções nos campos da política social, económica e militar. Ao contrário, tudo se parece conjugar para uma maior agressividade e menor respeito pelos direitos humanos.
Publicado por nocturnoplacido às 11:02 AM | Comentários (5) | TrackBack
Há versos...
Há versos que me beijam
como se lábios tivessem.
Versos de esperança
de brandura e de querer.
Há versos nus
qundo anoitece devagar.
Há palavras fortes
letra a letra soletradas,
esperadas ou sem destino.
Palavras que me levam
onde a noite é mais densa.
Há palavras que se negam
aos muros do meu Agosto
como eu me nego
a um futuro sem rosto.
COMMENT:
AUTHOR: belimunda
DATE:11/8/2004 06:48:51 PM
Na mesma linha de pensamento, O'Neill escreveu:
...
De repente coloridas
Entre palavras sem cor
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor...
in Poesias Completas
Publicado por nocturnoplacido às 08:59 AM | Comentários (1) | TrackBack
novembro 02, 2004
Aparências
Chegou-me há pouco às mãos um comentário que a coberto de pretensas opiniões políticas, a única e repetida motivação é saber da minha vida pessoal. Ficará na mesma porque entendo que só a alguns amigos mais chegados eu me autorizo a partilhar a minha vida por inteiro, e às vezes com algumas reservas porque há coisas que são só nossas e muito nossas. Os que me conhecem de perto sabem como sou e como olho a vida e os outros; os que tentam de forma insidiosa meter-se em terrenos apertados só lhes posso receitar um chá de tília que faz bem ao nervoso.
Publicado por nocturnoplacido às 06:48 PM | Comentários (3) | TrackBack
A inveja
Tomo de empréstimo o tema que a Aliciante postou hoje porque me parece merecedor de algumas considerações. Espero que ela não se importe.
A meu ver a inveja é fraqueza moral e remanescente de atavismos inferiores que perturba as necessidades de luta do ser humano. Em vez de se empenhar na autovalorização, o invejoso lamenta o triunfo alheio e não luta pelo seu; compete mediante a urdidura da intriga e da maledicência; aguarda o insucesso do adversário, no que se compraz; observa e persegue, acoimado por insidiosa desdita íntima. O invejoso é egocêntrico e não saiu da infância psicológica e pretende ser o único centro das atenções, credor de todos os cultos e referências.
Insidiosa, a inveja é resultado da indisciplina mental e moral que não considera a vida como património que é de todos.Trabalha, por inveja,para competir, sobressair, destacar-se. O invejoso não tem ideal nem respeito pelas pessoas e pelas suas árduas conquistas.
COMMENT:
AUTHOR: mad
DATE:11/2/2004 06:10:33 PM
Subscrevo na íntegra o que escreveste.
Só espero que a mensagem seja entendida por todos.
Publicado por nocturnoplacido às 05:07 PM | Comentários (1) | TrackBack
De uma oferta
Acaba de chegar às minhas mãos, como oferta, um livro ilustrado e de poemas, de Rolendis Solá Albuquerque,da Ulmeiro que, ao acaso, abri numa página e saltou este poema que aqui transcrevo com a devida vénia à autora:
Ansiedade
Bom ou mau, pode acontecer,
Sabe-se lá onde e quando,
Ansiedade ao anoitecer,
De dia sempre esperando.
Nesta ansiedade vivendo,
Não tendo outro alimento,
Nem conhecendo tormento,
O futuro adivinhando.
Nesta amargura ficando,
E sem saber até quando,
Tudo nos pode acontecer,
Neste longo entardecer.
Pessoalmente acho-o deprimente mas não quero julgar estados de alma.
Publicado por nocturnoplacido às 01:59 PM | Comentários (1) | TrackBack
Vamos lá recomeçar
A culpa deve ser minha porque em vez de iniciar o texto com alguns versos, em resposta ao desafio da Belimunda, acabei por fazer uma coisa comprida e com desfecho previsível. Emendo agora, escrevendo cinco versos:
Na prais deserta
daquele fim de Verão
só os pássaros
e uma figura solitária
rompiam o nevoeiro matinal.
Agora é ir por onde a imaginação nos/vos levar.
Publicado por nocturnoplacido às 01:52 PM | Comentários (9) | TrackBack
novembro 01, 2004
Talvez uma verdade...
Recuperei algures um pensamento que gostaria de aqui compartilhar convosco:
"Supunhas, inicialmente, que logo seriam resolvidos todos oe problemas. Todavia, ei-los que retornam, afligentes, complexos.
Reflecte:
Quem tem fé, não se abate ante a noite escura.
Quem confia, não se desespera na convulsão.
Quem ama, não se debate na desconfiança.
Quem crê, não se tortura na incerteza.
Quem espera, não se atira nos braços da aflição.
Quem serve, não se agasta com a ingratidão.
Quem é gentil, não aguarda entendimento.
Quem é puro, não se revolta com as calúnias.
Quem perdoa, não pára na caminhada a fim de receber escusas.
Se és inteiro, persiste e não desistas."
COMMENT:
AUTHOR: Mach1
DATE:11/1/2004 09:27:08 AM
Obrigado pelo que escreves-te.Diz-me imenso.Um Abraço.
Publicado por nocturnoplacido às 09:09 AM | Comentários (2) | TrackBack