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fevereiro 28, 2005
A Lareira

Esta chuva miudinha e fria faz-me ter saudades de uma lareira grande e aberta (que nunca tive) onde o calor aconchega e as chamas confidentes me hipnotizam.
Faz-me ter saudades tuas num sítio por descobrir, por desenhar e fruir.
Afinal também não sou como Shakespeare que só desejava o que possuía. Lá por ser Shakespeare não temos que estar de acordo com ele. Se o sonho comanda a vida porque não desejar o que não temos e gostaríamos de ter?
E se desejarmos convictamente nada nos garante que não obtenhamos.
Como esta fotografia que aqui tenho, em tons de fim de tarde, o teu rosto a olhar o horizonte, o amanhã. Foi assim que te desejei e aqui estás!
E é assim que te quero: sonhadora e decidida!
Que mal faz ter saudades de uma lareira que nunca tive?
Publicado por nocturnoplacido às 10:50 AM | Comentários (6)
A Árvore

Há um propósito na árvore
para se manter de pé
uma ousadia, um risco, uma fé
ou só a palavra que a descreve
e nos mantém longe
sábios da botânica.
Quem decifra os seus mistérios
quem sabe das suas sabedorias
quem a viu chorar?
As suas folhas são verdes
com saudades do mar?
Foi o vento que a semeou
ou as estrelas?
As suas raízes:
boca que alimenta
pés que a firmam na terra
são a certeza dos ramos
que a ligam ao céu.
Na sua sombra descanso da viagem
a ela retorno para aprender a partir.
Publicado por nocturnoplacido às 10:31 AM | Comentários (2)
fevereiro 25, 2005
Eu desejo aquilo que possuo.
William Shakespeare
Publicado por nocturnoplacido às 02:36 PM | Comentários (1)
Noite

Sinto na noite
o teu calor adormecido
e devagar
para não te acordar
digo-te: amor, amor!
Acaricio-te
devagar
para que não despertes.
Beijo-te
a nudez dos ombros
devagar
para não acordares.
De manhã confesso-te as carícias
as palavras e os beijos
e amo-te com urgência
com pressa de não acabar o amor.
Publicado por nocturnoplacido às 02:32 PM | Comentários (1)
Cintilação de luas
assim que te desnudas
às escuras
David Mourão-Ferreira, in entre a sombra e o corpo
Publicado por nocturnoplacido às 02:26 PM | Comentários (0)
Belimunda
Sempre que desejas sorte para o meu leão ele ganha. Vai insistindo mesmo quando ele jogar com o teu dragão.
Publicado por nocturnoplacido às 12:16 PM | Comentários (0)
Cumplicidades Partilhadas
desapareceu há quase um mês uma das vozes (blogue) que mais prazer me dava visitar.
Esta Deusa do Mar que editei em baixo é para te incentivar a voltar, Maria.
Publicado por nocturnoplacido às 12:09 PM | Comentários (0)
fevereiro 24, 2005

Sea Goddess, por Valueva
Publicado por nocturnoplacido às 06:20 PM | Comentários (0)
fevereiro 23, 2005
Não sei quando nasceste. Talvez só tenhas nascido no dia em que eu nasci. Nem sei por que te amo, a ti, perseguida sempre de perto por Vénus. Exactamente a ti, espia de amantes e de naufrágios, eu amo. Ou julgo amar-te por me lançares os sortilégios da tua face prateada. Quando me sento aqui, como agora, em frente ao mar, parece que me queres falar, que me cantas, que me chamas.
Tu tens sempre a mesma face resplandecente quando as nuvens dormem. És indiscreta quando espreitas sobre os sítios dos amantes e sabes, vaidosa, que eles param, de repente, flutuando ou suspensos de ténues fios de alacridade.
Misteriosa a tua viagem que te leva de um lado ao outro do céu, como misteriosos são os sinais do teu relevo, trabalho de escultores do tempo.
E nunca me respondes. Apareces, sorris-me e, matreira, desces sobre os meus ombros e deixas na minha pele o toque subtil dos teus dedos. É nesses momentos que sei que te amo, Lua.
Publicado por nocturnoplacido às 08:52 PM | Comentários (6)
fevereiro 22, 2005
Os salários dos portugueses
estão cada vez mais distantes dos restantes países da União Europeia. Se já éramos o país dos quinze com salários mais baixos, agora até o Chipre nos ultrapassou.
Segundo um estudo da Deloitte que o DN hoje publica, o salário líquido médio anual é de 11.771 euros, contra os 17.766 de Chipre ou os 35.893 do Luxemburgo (o mais alto salário líquido).
A tendência dos últimos anos tem sido a do distanciamento em relação aos restantes países.
Publicado por nocturnoplacido às 03:56 PM | Comentários (2)

Já tinha saudades de o ver nascer!
Publicado por nocturnoplacido às 09:30 AM | Comentários (0)
fevereiro 21, 2005
...e agora, José?
Depois das bandeiras enroladas e dos holofotes apagados, acaba-se a vitória e começa o trabalho.
Não sou um entusiasta de José (Sócrates) mas também não sou bota-abaixo.
Pelas suas próprias palavras, esta maioria absoluta não permite equívocos nem comporta margem para desculpas.
Com a prudência necessária e com o entusiasmo próprio de quem espera mudanças indispensáveis, vou esperar para ver.
Publicado por nocturnoplacido às 05:00 PM | Comentários (2)
fevereiro 19, 2005
Kuss, por Janos Makrav

Magnífico este quadro que tomei de empréstimo, devidamente autorizado pela blogamante
Publicado por nocturnoplacido às 01:52 PM | Comentários (1)
Pedro Abrunhosa, ontem à noite
com Cláudio Souto ao piano e Edgar Caramelo nos saxofones, proporcionaram um espectáculo bem alinhado, descontraído, muito participado pela grande quantidade de público que encheu o Ypslon.
Não sendo um indefectível de Pedro Abrunhosa, gosto imenso das suas letras e de algumas das suas músicas que melhor aprecio quando tocadas só ao piano. A sua presença simples e de grande à vontade em palco fizeram de ontem um momento especial. A sua mensagem política é de sublinhar: "Por favor, votem. Nos partidos em que acreditam, não importa qual, mas votem. Não deixem que sejam os outros a decidir por vocês. E desejo-vos muita sorte!".
E contigo a meu lado, todos os concertos têm um encanto especial. Obrigado por existires!
Publicado por nocturnoplacido às 01:36 PM | Comentários (0)
Rilkeana
De ti e desta nuvem; desta nuvem
branca como voo de pássaro
em manhã de abril; de ti
e da íntima chama de um fogo
que não consente extinção;
de ti e de mim fazer um só acorde,
um acorde só; para não te perder.
Eugénio de Andrade, in Os Sulcos da Sede
Publicado por nocturnoplacido às 01:31 PM | Comentários (0)
A concha

Não piso a concha
abandonada pela onda que o mar trouxe.
recolho-a e ouço a voz dos tempos
as dores e os amores agarrados às palavras.
fala-me das ilhas e dos navios
das janelas dos naufrágios
e das flores marinhas que os acompanharam.
ali na espuma tudo é transparente
a flor
a palavra
a verdade
e tudo no instante de afagar a concha.
barco de proa à madrugada
navego tranquilo
sem vírgulas entre as palavras
porque não há instantes interrompidos.
na limpidez de uns olhos profundos
está o mar que sulco
com uma ave no mastro.
Publicado por nocturnoplacido às 01:29 PM | Comentários (0)
fevereiro 18, 2005
Gaivotas
Madrugada de insónia a escrever
palavras que já escrevi num outro tempo.
escrevia a quilha da noite cortando as lágrimas
de um nome falado na ventania.
e falava nos limites do sangue
que nenhuma veia continha.
Agora escrevo gaivotas suspensas no vento
bailando piando
equilíbrio perfeito de quem sabe do tempo
cósmico imagético
entranhado nos ossos leves da voadora.
agora escrevo como ave que sou
que sabe das núvens e do azul
do rumo e dos poisos exactos
e sabe do mar e de tantos segredos
que as gaivotas me dizem
sem sombras
quando o sol nasce.
Publicado por nocturnoplacido às 05:29 PM | Comentários (0)
Os Imaginários
Cada vez menos os Imaginários vão fazendo sentido, nem sequer como título. Desde há tempo que deixaram de ser fruto da imaginação, se bem que sempre se possa dizer que toda a poesia é uma criação imaginária.
Não penso deixar de escrever - seria como deixar de respirar - mas depois de meia centena de Imaginários é altura de virar de página.
Publicado por nocturnoplacido às 05:24 PM | Comentários (0)
Imaginário L
Amar-te é como crescer em ti
sentir a nova pele que na tua leveda
navegar-te o corpo sem rota
sem rumo.
abrir-me às águas dóceis
que da fonte do teu rosto brotam
na secreta descoberta de em ti ser.
nascer cada manhã nos teus olhos
braços de era que me cingem
lábios de orvalho que me acordam
a música das mãos no meu rosto.
amar-te é a fome insaciada
de te saber aqui
e ter saudades de amanhã.
Publicado por nocturnoplacido às 05:18 PM | Comentários (0)
Atchim!...Santinho!
é muito chata esta coisa de estar "de cama". E devo ter pegado a virose ao computador que decidiu fazer gazeta.
Publicado por nocturnoplacido às 05:16 PM | Comentários (0)
fevereiro 15, 2005
Sei que não devo agradecer

mas não sei dizer de outro modo. Pelo dia de ontem, pelo jantar, pelo amor, pela noite. Que posso eu fazer senão agradecer...
Publicado por nocturnoplacido às 10:59 AM | Comentários (1)
Numa Fronte Ausente
Terra e noite
as mãos escavam.
Insistem e desfazem-se
numa fronte ausente.
Na cabeça subsistem
algumas palavras inúteis.
A mão devagar traça
-vai traçar-
uma rede de sinais de que dependo.
A luz descobre o corpo.
Algumas palavras a mais desaparecem.
Neste instante
a pedra é nua.
António Ramos Rosa, in A Palavra e o Lugar
Publicado por nocturnoplacido às 10:47 AM | Comentários (0)
Jerónimo de Sousa
Na última revista Sábado, Jerónimo de Sousa é entrevistado por Miguel Esteves Cardoso. Confesso que fiquei agradavelmente surpreendido. Notável. Vale a pena ler, assim como vale a pena ler o que MEC escreve nas duas páginas seguintes.
Publicado por nocturnoplacido às 09:25 AM | Comentários (1)
fevereiro 14, 2005
Dia de S.Valentim
Presumo que vários blogues dirão hoje muita coisa sobre os namorados, o amor, essas coisas. Cá este blogue não vai dizer nada. O "dono", em vez de dizer, vai fazer o que é mais interessante. Programa dourado que já teve o seu primeiro momento.
Publicado por nocturnoplacido às 10:48 AM | Comentários (0)
fevereiro 11, 2005
O colar

Estrela polar que amanhece
anoitecendo
nas mãos as palavras tacto
falando
no colo o colar antigo
orlando
no beijo a seda do casulo
nascendo
...
tarde caindo
às estrelas cedendo.
Publicado por nocturnoplacido às 04:47 PM | Comentários (0)

O Espelho Mágico arranjou esta foto para destacar este blogue. Que homenagem...não resisti e apropriei-me das pedritas.
Publicado por nocturnoplacido às 03:57 PM | Comentários (1)
Imaginário XLIX
inverno febril que na sede se consome
refulgente de sol como se verão fosse.
nas horas a lua estremece
vigilante das nossas noites.
casulos de amor tecidos a carícias
na febre morna dos lençois
onde as noites dormem
docemente.
ampulhetas velozes a escorrer o tempo
bandeiras desfraldadas aos ventos soltos
e nós a prender a água das horas
que se escoa por entre os dedos.
Publicado por nocturnoplacido às 10:45 AM | Comentários (0)
fevereiro 09, 2005
Na Biblioteca...
...no próximo dia 11, pelas 21,30 horas, será apresentado o novo livro de poemas de Fernando Ribeiro, As Feridas Essenciais. Trata-se de um jovem poeta, também vocalista dos Moonspell.
Publicado por nocturnoplacido às 06:33 PM | Comentários (0)
Para ti
e para quem gostar,dedico este tema de Bryan Adams, Everything I do..., de que gosto muito.
Publicado por nocturnoplacido às 06:23 PM | Comentários (0)
Maria, que é feito de ti?
Desapareceu desde o dia 26 de Janeiro. Quem souber do seu paradeiro diga qualquer coisa. Sinto a falta do que escreve e como escreve. Chama-se Maria e está em Cumplicidades
Publicado por nocturnoplacido às 04:50 PM | Comentários (1)
Carnaval
Por curiosidade, já que há muito tempo que não assistia, embora não seja um fã de corsos carnavalescos, fui até Torres Vedras ver o Carnaval. Muita gente. Muita animação. Carros alegóricos à situação política actual, alguns muito bem conseguidos, mas ficou-me uma interrogação: só havia homens mascarados de mulher, muitos. Não acredito que não sejam só foliões mas será que as mulheres para aquelas bandas têm alguma razão para não mostrar os seus dotes...carnavalescos?
Publicado por nocturnoplacido às 10:39 AM | Comentários (0)

Agora que estamos a uma semana do Dia dos Namorados, diga-me lá você o que seria capaz de fazer por amor?
Publicado por nocturnoplacido às 10:38 AM | Comentários (1)
Imaginário XLVIII
À luz das velas te olho
e na melodia das tuas mãos
solto as estrelas que me ofereces.
O tempo do despontar nascente
acontece
no sobressalto dos seios soltos
no insubmisso sentido da rebeldia
que resumem o eco da impaciência.
Ofereço-me-te com a intranquilidade
do voo das aves nocturnas
que sabem breve o alvorecer.
Cada dia que passa é um dia a menos
para o tempo inteiro, dizes;
Neste teu contar do tempo
mal cabe o sol nascente que aprisiono.
Publicado por nocturnoplacido às 10:31 AM | Comentários (0)
fevereiro 07, 2005
Palavras
Há palavras que possuem um som cavo, de buraco.
Outras que morrem, ou nunca existiram. Palavras fumo. Palavras névoa.
Há palavras que persistem e outras por inventar: palavras do nosso vocabulário íntimo, daquelas que nunca outros entenderão, como inesmar (tu e o mar que o sol prateou).
Palavras de água de silêncio, palavras sem medo nem linhas onde se escrevam.
Palavras que sabem a presente por abrir que nos lábios soçobram porque só os olhos dizem.
Que palavras cabem num abraço apertado e profundo?
Num beijo intenso de estrelas?
Ou quando as mãos esquadrinham os corpos?
Ah! Tantas palavras sem grafia nem som!
Nós conhecemo-las na intuição da dádiva, na paixão apertada, na avidez do sonho, no vulcão dos dedos, na conchas das mãos emoldurando o rosto do outro.
Aqui não cabem palavras traiçoeiras.
Publicado por nocturnoplacido às 12:54 PM | Comentários (1)
Flores para ti...

...pelo dia magnífico que ontem partilhamos.
Publicado por nocturnoplacido às 11:39 AM | Comentários (2)
Esquerda? Direita?
Não sou dicotómico mas nestas eleições a esquerda não está nas propostas do PS. Agustina Bessa Luis dizia um destes dias que José Sócrates e Santana Lopes não são adversários e tem toda a razão. Já hoje o jornalista Mário Mesquita titula um artigo de opinião com a seguinte frase: "Tenha paciência, Sócrates, diga-nos qualquer coisa de esquerda!".
Se a matriz é a mesma quase que vale a pena perguntar: onde está o espanto?
Publicado por nocturnoplacido às 11:17 AM | Comentários (0)
Completamente de acordo
"COMPETITIVIDADE Como criar mais riqueza e emprego? Menos burocracia, respondem economistas, patrões e sindicatos." Título do Diário Económico de hoje.
Estou completamente de acordo. A burocracia que temos é um polvo com demasiados braços e tentáculos que nos asfixia.
Publicado por nocturnoplacido às 11:07 AM | Comentários (2)
fevereiro 05, 2005
Saturday

Fotografia de Patrik Demarchelier
Publicado por nocturnoplacido às 06:46 PM | Comentários (1)
Um bom fim de semana para todos

com um sorriso do tamanho do mundo.
Publicado por nocturnoplacido às 12:44 PM | Comentários (0)
Dicas de quem sabe
foi o que o Paulo Querido me remeteu e lá resolvi um pequeno (para ele) grande (para mim) problema. E como sou um analfabeto em matéria de templates, lá apareceu a Mar (o que esta mocinha sabe) para reorganizar um pouco melhor este blogue que a mais não aspiro.
Obrigadíssimo a ambos.
Publicado por nocturnoplacido às 12:12 PM | Comentários (2)
fevereiro 04, 2005
Partiram...
O Canto e Castro e o Adriano Cerqueira deixaram os amigos do teatro e da televisão. Porque não somos ricos e eles marcaram estas artes, aqui deixo a mágoa de, como espectador, não os voltar a ver.
Publicado por nocturnoplacido às 03:38 PM | Comentários (0)
Uff!!!!
Faz por estes dias (já não me lembro a data), já não sei quantos meses que tomei a decisão de me libertar do maior pesadelo da minha vida. Que descance em paz!
Publicado por nocturnoplacido às 12:39 PM | Comentários (0)

Divirtam-se neste Carnaval, se puderem. Em alternativa apreciem as piadas de carnaval de alguns políticos.
Descontraiam-se e não pensem em coisas demasiado sérias, se puderem, claro.
Publicado por nocturnoplacido às 12:00 PM | Comentários (0)
Não gosto nada (parte III)
# de mulheres feias por dentro e que se julgam bonitas por fora;
# de máscaras, fora do Carnaval;
e hoje é só.
Publicado por nocturnoplacido às 11:32 AM | Comentários (0)
fevereiro 03, 2005
Imaginário XLVII
Os meus olhos pousam nos teus
espantados de tanto amar
como as gaivotas pousam no poema
cansadas de tanto mar.
Neste Inverno cansado de sol
o tempo de chegares é um tempo inteiro
tempo de perfumes de maçã
cabelos de flores
cântico perene de renovação.
Entras com a mesma suavidade com que falas
sorriso leve de pétalas
larga limpidez no olhar
e despes tranquila o agasalho.
Com os medos enterrados te acolho
os meus e os teus
e no espaço dos meus braços
inteira te entregas
florindo as margens do rio
onde descanso os meus cansaços.
Publicado por nocturnoplacido às 08:21 PM | Comentários (0)
Coisas chocantes
Isto dos direitos humanos tem ainda muita coisa por contar e muita volta a dar. Há quem se arvore em paladino da sua defesa e seja capaz de praticar as maiores violações desse direito, julgando-se no direito de estar imune às justas sanções.
Quatro prisioneiros iraquianos foram abatidos no centro de detenção de Camp Bucca, na fronteira com o Koweit, tido como um centro modelo para apagar a imagem de tristemente célebre Abu Ghraib.O porta voz do comando americano que tutela os campos de prisioneiros do Iraque, ten-coronel Barry Johnson, desculpou a mortandade afirmando que os militares envolvidos na chacina tinham pouca experiência por terem chegado recentemente ao Iraque. Chocante!
Sem terem tido tempo, por terem chegado recentemente, de acumular as normais tensões da guerra, são capazes de matar a sangue frio. Se estão condicionadas pelas tensões e stress dos combates, são desculpabilizados por esse facto.
Afinal de contas, que preparação têm estes militares para lidar com situações delicadas como esta de salvaguardar a ordem necessária num campo de prisioneiros? Onde estão os esforços na defesa dos direitos humanos num país martirizado? Porque se é tão nervoso com o gatilho de uma arma? Cultura? Formação pessoal?
Como é possível desculpabilizar os autores de um crime só porque são americanos ou porque eram pouco experientes?
Publicado por nocturnoplacido às 02:35 PM | Comentários (0)

A gaivota pousa no poema
cansada de tanto mar
Publicado por nocturnoplacido às 02:33 PM | Comentários (0)
fevereiro 02, 2005
Bryan Adams, para recordar
(Everything I Do) I Do It For You
Look into my eyes - you will see
What you mean to me
Search your heart - search your soul
And when you find me there you'll search no more
Don't tell me it's not worth dyin'for
You know it's true
Everything I do - I do it four you
Look into my heart - you will find
There's nothin' there to hide
Take me as I am - take my life
You would give it allI would sacrifice
Don't tell me it's not worth fightin' for
I can't help it there's nothin' I want more
Ya know it's true
Everything I do - I do it four you
There's no love - like your love
And no other - could give me more love
There's no where - unless you're there
All the time - all the way
Don't tell me it's not worth tryin'for
I can't help it there's nothin' I want more
I would fight for you - I'd lie for you
Walk the wire for you - Ya I'd die for you
Ya now it's true
Everithing I do - I do it for you
Publicado por nocturnoplacido às 12:06 PM | Comentários (3)
Imaginário XLVI
Um nome já te dei
que escrevo
na delicada teia dos meus dias:
Inês, a imaginária e a real.
Quem diria que um dia
perfumarias com os teus sorrisos
a minha solidão de pedra;
com a tua chegada
abriram-se os portais do templo
e as aves, enfim libertas,
rumaram às estrelas;
e os rios que trouxeste nas mãos
confluíram no meu corpo
sem se conterem nas margens.
“Amar é palavra que já não chega”
escreveste-me. reli-te espantado
até à percepção do seu alcance
e percebi a oração votiva
o sobressalto
o tempo rasante das mudanças.
Tu, tão real
que imaginária te concebo.
Publicado por nocturnoplacido às 12:05 PM | Comentários (0)
fevereiro 01, 2005
Gabriel Garcia Marquéz
A Despedida de Gabriel Garcia Marquez
Gabriel Garcia Marquez retirou-se da vida pública por razões de saúde: Cancro linfático.
Agora, parece que é cada vez mais grave. Enviou uma carta de despedida aos seus amigos que, graças à Internet, está a ser difundida.
A sua leitura é recomendada porque é verdadeiramente comovedor este texto escrito por um dos Latino-americanos mais brilhantes dosúltimos tempos.
"Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapo e me oferecesse mais um pouco de vida, não diria tudo o que penso, mas pensaria tudo o que digo.
Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam. Dormiria pouco, sonharia mais, entendo que por cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz.
Andaria quando os outros param, acordaria quando os outros dormem.
Ouviria quando os outros falam, e como desfrutaria de um bom gelado de chocolate! Se Deus me oferecesse um pouco de vida, vestir-me-ia de forma simples, deixando a descoberto, não apenas o meu corpo, mas também a minha alma.Meu Deus, se eu tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperava que nascesse o sol. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre as estrelas de um poema de Benedetti, e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à lua. Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos seus espinhos e o beijo encarnado das suas pétalas...
Meu Deus, se eu tivesse um pouco de vida... Não deixaria passar um só dia sem dizer às pessoas de quem gosto que gosto delas. Convenceria cada mulher ou homem que é o meu favorito e viveria apaixonado pelo amor. Aos homens provar-lhes-ia como estão equivocados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar! A uma criança, dar-lhe-ia asas, mas teria que aprender a voar sozinha.
Aos velhos, ensinar-lhes-ia que a morte não chega com a velhice, mas sim com o esquecimento. Tantas coisas aprendi com vocês, os homens...
Aprendi que todo o mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a encosta. Aprendi que quando um recém-nascido aperta com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo
do seu pai, o tem agarrado para sempre. Aprendi que um homem só tem direito a olhar outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a levantar-se. São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas não me hão-de servir
realmente de muito, porque quando me guardarem dentro dessa maleta, infelizmente estarei a morrer..."
GABRIEL GARCIA MARQUEZ
Publicado por nocturnoplacido às 12:30 PM | Comentários (13)
Pavilhão Atlântico. Brian Adams

Num concerto onde João Pedro Pais apresentou o seu novo álbum, o cantor canadiano encheu os corações das/dos fãs cantando o melhor do seu reportório e com um final a solo especialmente tocante.
Contigo a música ganhou uma outra dimensão na minha vida.
É a que juntos ouvimos diariamente e a dos concertos a que contigo assisto até ao fim e ficamos com pena de não se prolongar. Aprendi que a linguagem da música é a linguagem do amor ou não fosse ela, assim penso, a maior criação artística do Homem.
E depois, tendo por perto o Irish Pub, onde também se toca e canta... é natural que a perfeição se aproxime na consumação de um beijo.
Publicado por nocturnoplacido às 11:29 AM | Comentários (2)