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fevereiro 19, 2005
A concha

Não piso a concha
abandonada pela onda que o mar trouxe.
recolho-a e ouço a voz dos tempos
as dores e os amores agarrados às palavras.
fala-me das ilhas e dos navios
das janelas dos naufrágios
e das flores marinhas que os acompanharam.
ali na espuma tudo é transparente
a flor
a palavra
a verdade
e tudo no instante de afagar a concha.
barco de proa à madrugada
navego tranquilo
sem vírgulas entre as palavras
porque não há instantes interrompidos.
na limpidez de uns olhos profundos
está o mar que sulco
com uma ave no mastro.
Publicado por nocturnoplacido às fevereiro 19, 2005 01:29 PM
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