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março 31, 2005

water-slide.jpg
Water-Slide de Virginia Glessner


Quero a mão
que decifra os mapas do meu corpo
que me conduz pelo teu reino
que me passeia nas margens da água
Preciso desse sussurro de madeira
dessa luminosidade branca
vento brando de explicações
orvalho transparente das manhãs
Quero as tuas mãos
que aveludam as noites
e determinam os astros
Quero sentar-me no muro
com as tuas mãos nas minhas
banhadas de sol
laço de olhares
rebrilhantes de azul.

Publicado por nocturnoplacido às 12:33 PM | Comentários (4)

março 29, 2005

Livros.jpg

Que bom seria uma gruta
um grito um silêncio
um relâmpago
qualquer coisa sem ampulhetas
simples
de instante à medida do desejo
sonolento
sem carrilhões de tempo
eterno até ver
Um campo de papoilas
onde o vento só balbuciasse
uma cidade de luzes
silenciosa
Silêncio para ouvir a minha ânsia
a inquietação
o baile das palavras por arrumar
o espaço onde me quero
na latitude que procuro
Um relâmpago um vento
uma carícia uma estrada
uma mão um mapa
onde me perca me subverta
me alimente
Um livro. Talvez um livro!
Um livro oráculo
com os mistérios que eu não sei
um livro com as palavras por aprender
Um livro para caminhar
para ler todos os dias
sem acabar
Um livro
Só.

Publicado por nocturnoplacido às 05:13 PM | Comentários (7)

março 28, 2005

essence_of_love.jpg

Estava-se bem junto à psicina. Sim, porque eu tenho uma piscina. Mais exactamente, uma vivenda com piscina e no Algarve. Confessando: não é minha mas tenho amigos fabulosos e um deles faz com que a casa pareça minha. Mas estava muito bem a gozar o sol que ia e vinha e não sei porque é que não ficava, com uma temperatura quase a pedir um mergulho, refastelado numa daquelas cadeiras compridas que cabe lá o corpo todo, a lar o Perfumista de Almorim (um inédito a publicar em breve, cujo autor, meu querido amigo, parece que não me autorizou a divulgar o seu nome e, se calha, até estou a cometer uma inconfidência com o título do romance) e a fumar o Mercator em que sou viciado, quando ...

Estava eu assim deliciado quando a chata veio ter comigo e, mãozinha aqui perninha acolá, anichou-se na cadeira, e eu felicitei o construtor por se ter lembrado que às vezes dois são um só. "Chata" é o nome que a minha Princesa dá a si própria quando me procura, me acaricia, me beija, me... e eu peço-lhe que nunca deixe de ser chata. É de uma chatice deliciosa!

Perfumista para um lado, cigarro para outro que não havia "espaço" para tanto e não sei se foi do sol (que até estava envergonhado a espreitar por nuvens pífias) mas corremos o risco da cadeira se deformar. Não sei se é nestes momentos que se diz "até vi estrelas" mas não deve ser porque ainda era de manhã e as estrelas só lá estão à noite.

Resumindo, não conto mais porque só almoçamos lá para as quatro da tarde uns hamburgers com não sei o quê e que souberam a caviar. só pode ser porque estava lá um senhor muito gordo que deve lá ir todos os dias e tinha cara de gostar de caviar.

Pronto. Dia de Páscoa.

Publicado por nocturnoplacido às 10:06 PM | Comentários (3)

Desci-te do colo ao ventre
navegação lenta
ébrio timoneiro
num corpo estrelado
a soletrar-te o nome
Cintilante nos meus braços
cântico íntimo
fragor de mar
vulcão dominado até ao possível
esplendorosa te deste
radiosa me sorriste.

Publicado por nocturnoplacido às 10:02 PM | Comentários (2)

março 24, 2005

Algarve-Praia-da-Rocha-1c_2.jpg

Vou ter saudades de vos visitar mas o corpinho está a pedir férias e vou-me ausentar por alguns dias. Só espero que o tempo esteja assim bonitinho e que me perdoem os que anseiam por chuva. Uma boa Páscoa!

Publicado por nocturnoplacido às 12:45 AM | Comentários (4)

março 23, 2005

Sol Incendiado

O livro que deveria ter sido lançado em Dezembro só pode ser ontem. Só ontem me "libertei" dele. Mas foi gratificante e até comovente ver tantos rostos amigos que me quiseram acompanhar quer fisicamente quer de outro modo. O José Manuel Mendes enviou-me um texto, que o editor leu, a recordar jornadas literárias comuns que me tocou bem fundo (recordar Lorca e Neruda foi fantástico!). O poeta e romancista Mário Máximo, que continua a repetir que gosta do que escrevo, apresentou o livro e disse dois poemas de forma magnífica. O Figueira Mestre leu um texto curto, de sua autoria, que muito lhe agradeço. A atriz Bibi Gomes leu alguns poemas e ofereceu-me um beijo num gesto tocante.
Os meus filhos, na primeira fila, iam-me paralizando as palavras. Lindos!
E a Princesa, ao lado deles, com uma enorme dignidade, sorria-me. Como te amo!
E a noite prolongou-se, com amigos chegados, a ouvir cante alentejano (à viola e algumas desafinações...).
E pronto, 22 de Março já foi ontem!

Publicado por nocturnoplacido às 12:35 PM | Comentários (11)

março 22, 2005

Um e-mail da Susana

Quando a tua vida parece um caos e as 24 horas por dia parecem não chegar,


lembra-te do pote de vidro e do café



Na sala de aula, o professor estava de pé com alguns objectos em cima da secretária.


Quando a aula começou ele, calado, pegou num frasco grande de vidro vazio e começou a enchê-lo com bolas de golfe. Quando não cabiam mais, ele perguntou aos alunos se achavam que o frasco estava cheio.


Todos responderam que sim.


O professor então pegou num saco de feijões secos e, ao chocalhar o frasco, estes iam entrando para os
buracos vazios entre as bolas de golfe.


Quando não cabiam mais, ele perguntou aos alunos se achavam que o frasco estava cheio.


Todos responderam que sim.


Neste ponto, o professor despejou um saco de areia para dentro do frasco.


Como é óbvio, a areia ocupou todo o espaço restante do frasco.


Quando não cabiam mais ele perguntou aos alunos se achavam que o frasco estava cheio.


Todos responderam que sim.


Foi então que o professor agarrou em dois copos de café e os entornou lá para dentro. Agora sim, não havia mais espaço.


Os alunos desataram a rir !!!


"Agora," disse o professor enquanto as gargalhadas ainda se ouviam, "eu quero que vocês reconheçam que este frasco representa a organização da vossa vida".


-"As bolas de golfe são as coisas mais importantes: a família; os filhos; a saúde; os amigos e tudo o que vos é mais querido, de modo a que se tudo na vida desaparecesse e só ficassem elas, a vossa vida continuava cheia!"


"Os feijões são as outras coisas importantes da vida: o trabalho; a casa; o carro;


-"A areia é tudo o resto das coisinhas pequeninas."


Se encherem primeiro o frasco com a areia, já não há espaço para o feijão nem as bolas de golfe.



O mesmo se passa com a vida.


Se gastarem todo o tempo e a vossa energia com as pequenas coisas nunca vão ter espaço para as coisas que são verdadeiramente importantes para vocês.


Prestem atenção às coisas que são essenciais à vossa felicidade.


Brinquem com as crianças. Tirem tempo para ir ao médico, talvez fazer um check-up. Saiam para um jantar
romântico. Vai haver sempre tempo para arrumar a casa, para despachar um trabalho que só falta um bocadinho.


Tomem conta das vossas bolas de golfe primeiro, das coisas que têm mesmo importância.


Tenham prioridades. Para o resto vai sempre haver espaço.


Não encham o vosso frasco primeiro com a areia, pois as bolas de golfe não vão caber no fim.


Um aluno perguntou: - E o café o que é ?


- Ainda bem que perguntas. Eu ia agora mesmo dizer-vos.


É que mesmo que sintam que a vossa vida está cheia, há sempre espaço para beber um café com um amigo.


Publicado por nocturnoplacido às 11:55 AM | Comentários (13)

luongo_lmy_soft_purple_dream.jpg
My Soft Purple Dream, por Aldo Luongo
1.
O puro lírio do campo
está na nudez dos teus seios
como a pura lágrima
está na pureza da chuva
E eu amo-te
com a tua nitidez de sol
com a tua volúpia de onda.

2.
A minha poesia é de instantes
por isso te sonho quando estás presente
o instante exaltante
o brado da alegria
o momento entre os momentos
da tua ausência.


(Ontem, no Dia Mundial da Poesia)

Publicado por nocturnoplacido às 11:34 AM | Comentários (4)

Dia Mundial da Água

agua.jpg

Hoje é um daqueles dias mundiais que mais nos deve preocupar.
A água é um bem escasso e finito e a humanidade corre sérios riscos se não soubermos lidar com este bem essencial à vida.

Publicado por nocturnoplacido às 11:31 AM | Comentários (0)

março 21, 2005

Pedra a Pedra

Este título que dá nome a este blogue tem suscitado alguma curiosidade a pessoas que me perguntam se quero construir alguma coisa.
O nome é uma homenagem a um grande poeta e escritor e muito particular amigo, de seu nome José Manuel Mendes, actualmente presidente da Associação Portuguesa de Escritores. Um dos seus livros de poesia chama-se exactamente Pedra a Pedra e remonta a 1977.
Aqui fica o registo de algumas das suas obras que na desarrumação das minhas estantes foi possível descobrir. Sei que me faltam os mais recentes e tentarei completar a lista:

Salgema
A Esperança Agredida
Charrua em Campo de Pedras
Por Uma Literatura de Combate
Pedra a Pedra
Ombro, Arma!
Os Dias do Trigo
Limiar da Terra
A Última noite de Corvos
O Homem do Corvo
Alguns dos Instantes
Três Chamas na Palma da Mão
Meridiano
Depois do Olhar
O Despir da Névoa
Presságios do Sul

Peço desculpa ao autor pela ordem que não é cronológica e pela falta de alguns títulos, ou que não tenho ou que não encontrei.

Publicado por nocturnoplacido às 06:08 PM | Comentários (3)

Floresta.jpg

Porque hoje também é Dia Mundial da Floresta.
E se deixassemos de comemorar os dias internacionais de qualquer coisa? Ah! Já sei. É porque as qualquer coisa já tinham acabado.

Publicado por nocturnoplacido às 12:42 PM | Comentários (1)

sensuality.jpg
Sensuality, by Pino

Uma homenagem à poesia neste seu dia.

Publicado por nocturnoplacido às 12:08 PM | Comentários (2)

Dia Mundial da Poesia

Celebra-se hoje o Dia Mundial da Poesia mas não o assinalarei com versos porque poesia vivi-a este fim de semana na companhia de amigos que só se conheciam da blogosfera. Como muitos de nós constatamos, estes encontros são o melhor da experiência desta nova forma de comunicação. Gente bonita, de gestos e palavras espontâneos, de amizade à flor do rosto, de coração disponível, com poesia no olhar. Assim vale a pena viver, rodeado de amigos que só se faltavam encontrar. Vocês enriqueceram-me e muito. Esta Primavera vai ser mais luminosa e incentivadora porque se aprende muito na partilha dos nossos gostos, das nossas motivações, das nossas ansiedades e objectivos. Foi pouco o tempo para vos conhecer melhor a todos e isto não deve ter acontecido só comigo. Mas não importa porque ficou a semente para um próxim convívio talvez já em Maio. Até lá, boas postas e bons momentos pessoais.
Uma nota particular que não me levarão a mal: pena que a Maria Branco só tivesse chegado no domingo. Mesmo assim foi excelente termo-nos conhecido pessoalmente.

Publicado por nocturnoplacido às 10:51 AM | Comentários (6)

março 20, 2005

Visitei a pedra em que a água da ausência
encontrou o seu marco. E morangos
souberam-me a sexo: a cor e a frescura.
As patas das gaivotas marcavam a longa extensão
húmida.
que substituira o Verão. Regressei
com vontade de falar no vazio
que cresce nos canteiros. Ms que palavras podem?
Que sons
poderão vibrar neste papel sem consistência?

Egito Gonçalves, os pássaros mudam no outono

Publicado por nocturnoplacido às 10:13 AM | Comentários (1)

março 18, 2005

Uma leitura

Relendo, há dias, os escritos de poesia (?) que tenho produzido nos últimos meses, reparo numa quase "viciação" que me leva a escrever praticamente todos os dias.
As palavras bailam constantemente a pedir-me arrumação e eu não a vou negando.
Acontece-me porque a motivação é grande e começo a perceber que o próximo livro não tardará muitos meses.
Lembrei-me, a propósito, que um dia me pediram para escrever um poema, coisa que não fazia há vários meses e, nesse preciso instante, percebi, alarmado, que já não me apetecia escrever. De seguida, dei comigo a perceber que se tinha iniciado o processo de esboroamento de um fascínio e começava um baile de máscaras.
A escrita, para mim, é assim: ou acontece quando e porque estou motivado ou não escrevo.

Publicado por nocturnoplacido às 10:06 PM | Comentários (4)

Fascinante

A blogosfera tem-me permitido construir amizades virtuais, somente fundada nas palavras, no que elas transmitem ou como eu as leio. É sempre com desgosto que vejo desaparecer alguns blogues que gostava de visitar e nem imagino o que terá levado os seus autores a "apagá-los". O fascínio cresce quando o correio electrónico me surpreende entregando-me outras palavras que um blogue não comporta. E quando se trocam números de telemóvel, do fascínio passo à emoção. E quando do outro lado vou encontrar vozes ternas e confiantes como as que "descobri" ontem e hoje, então sinto-me feliz por saber que há amigos que já lá estavam. Eu é que ainda os não tinha encontrado.

Publicado por nocturnoplacido às 06:14 PM | Comentários (3)

hessam_sweet_hearts.jpg
Sweet Hearts por Hessam Abrishami

A ternura desenha a brisa
que te modela o rosto
brilho quotidiano da alegria
que adoça as palavras que me dizes
Visto-a de astros luminosos
sempre que te toco
no rosto no corpo
No prisma das certezas
alinhavo as saudades
dos dias por chegar
de um tempo inteiro
por navegar
Nasce uma dor indecifrável
e fascinante
quando quero dizer felicidade
quando em ti bebo liberdade
No teu rosto modelado pela ternura
leio a condenação da tristeza
o apelo da luz e dos frutos
o reflexo dos cristais
a inflorescência das manhãs
Encho o cálice da alegria
e juntos bebemos as promessas.

Publicado por nocturnoplacido às 06:01 PM | Comentários (1)

zho_Freedom_to_Fly64.gif
Freedom to Fly por Zu Ming Ho

Liberdade para voar, no que faço, no que penso, no que escrevo, no que vivo. Obrigado, Princesa, por esta espantosa liberdade.

Publicado por nocturnoplacido às 01:52 PM | Comentários (2)

março 17, 2005

Radian-Rose_Quartet.jpg

Para ti, Princesa!

Publicado por nocturnoplacido às 06:59 PM | Comentários (2)

Ressaca

copos.jpg

A inesperada silhueta da sombra
que a noite desperta
entre o luar e as àrvores nuas
aproxima-me do promontório
abismo insondável
dos meus sonhos negros
Nem a mão que repousa na esperança
da luz total das tuas mãos
me devolve à plenitude da lucidez
Há um espaço por preencher
no relevo da parábola
verbo que esventra a noite
quando a tua ausência é presente
Dilacero as esquinas do granito
mãos ensanguentadas
no pescoço da madrugada
até que o sal apazigue a angústia
ou a bebedeira me passe.

Publicado por nocturnoplacido às 05:52 PM | Comentários (0)

março 16, 2005

Pesadelo

Há um sonho onde te perco
te afastas te afastas
Fumo branco azulado
evanescente
de um cigarro esquecido
em direcção ao tecto.
Por detrás o teu rosto esbatido e triste
peito doído no soluço da tua partida
barco negro na névoa
sem lenços
só a lâmina da dor
O coração aperta na solidão do cais
e a mão procura-te
receosa da tua ausência
Respiras suave no sono tranquilo
e a mão liberta-te o rosto do cabelo revolto
Acordo no teu abraço
até a tristeza do sonho se diluir no sol


Publicado por nocturnoplacido às 05:38 PM | Comentários (1)

março 15, 2005

Riso de estrelas

Ris com gargalhadas de sol
a ensinar-me
o sabor dos bons instantes
O sol existe mais
para meu espanto
quando o cristal do teu riso
me contagia
Harpa dedilhada a encantar-me
no prazer genuíno do teu rosto
Enterneço-me ao entardecer
esperando a luz maior
que me trazes
na água do beijo
na ânsia branca do abraço
na alacridade do teu sorriso
E de novo a vida
o céu onde passeamos
e um momento
para o teu riso de estrelas.

Publicado por nocturnoplacido às 02:07 PM | Comentários (2)

março 14, 2005

vieira.jpg

É sempre um prazer e uma emoção revisitar Jorge Vieira.

Publicado por nocturnoplacido às 12:48 PM | Comentários (1)

Ai...ai!

E fui eu a Alvalade,de cachecol e tudo...!
Salvou-se o "Million Dollar Babe" que, infelizmente, não pude ver mas os comentários de quem viu são excelentes.

Publicado por nocturnoplacido às 11:49 AM | Comentários (2)

março 13, 2005

Princesa

mulher072_02.jpg

Na colina a figura:
cabelo à brisa
escondendo os olhos de mel
vestes brancas esvoaçantes
flores na mão caída
fixando para lá do ângulo
do céu com o mar
É uma princesa
disse-me o vento de março
Prendi nela o olhar
tempo atrás de tempo
e a sua mão direita domou o cabelo
Virou para mim o rosto
lentamente
como sabendo de mim
Era a minha princesa
que um dia jurou
partilhar comigo o seu reino.

Publicado por nocturnoplacido às 11:42 AM | Comentários (0)

março 11, 2005

Sumo

event12.jpg

Inesperadas nuvens disformes
trazidas pela ventania
povoam o pesadelo
de um alvorecer inexplicável
Basta uma palavra
inesperadamente
para que o pânico assome
num frio repentino
No sulco da manhã
as bocas incrédulas
pedem um sumo que saiba a uva
a sol e a azul
sem seiva seca indecifrável
Na sombra que dilacera
há salpicos de maresia
que dissipam o negrume
e acordam a lucidez
Nas bocas ficam as palavras
que ousam esperar
No dia permanece o deserto da inutilidade
das nuvens disformes.

Publicado por nocturnoplacido às 06:51 PM | Comentários (0)

11 de Março

1303atocha.jpg

O rei de Espanha encerrou hoje, em Madrid, um seminário sobre terrorismo, no dia em que passa um ano sobre o massacre de Atocha. Fizeram-se muitos discursos, muitas homenagens às vítimas, muita condenação do terrorismo. Porém, os discursos oficiais fogem do essencial como o diabo da cruz. Os métodos para acabar com o terrorismo ficam-se pelas medidas policiais, pelo reforço da segurança, por legislação restrictiva de direitos e pouco mais. O fulcro da questão fica por tratar porque aos donos do mundo não lhes interessa verdadeiramente a paz, a convivência pacífica entre os povos, a tolerância religiosa, política e cultural, o desenvolvimento económicoe social harmonioso e sustentado.
É mais fácil a "guerra punitiva" (vende-se material de guerra e desenvolve-se a indústria militar a que estão ligados muitos poderosos) do que políticas concertadas de apoio efectivo e sincero aos países pobres (que tantas vezes são governados por fantoches). Há uma nova ordem mundial que está por realizar onde a pobreza e a exclusão não sejam possíveis, se canalizem meios suficientes para o combate à doença, se cumpram os desígnios do ser humano e da natureza respeitando e defendendo o planeta. Então o terrorismo não mais terá lugar.

Publicado por nocturnoplacido às 06:36 PM | Comentários (0)

Um pensamento alheio

"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim."

Charles Chaplin

Publicado por nocturnoplacido às 11:24 AM | Comentários (2)

março 10, 2005

Garmash_WalkontheBeach.jpg
Walk on the beach, por Garmash

Quando tomo banho contigo é como se passeasses na praia rodeada de gaivotas. As mãos na espuma do corpo. Tempo de silêncio e de encantamento. Paixão à flor da pele.

Publicado por nocturnoplacido às 12:46 PM | Comentários (0)

março 09, 2005

smile.jpg

Publicado por nocturnoplacido às 11:14 AM | Comentários (0)

Sorriso

Há um Inverno rugoso
nas noites da tua ausência
adagas de gume frio
nas horas da solidão
uma névoa leitosa
na escravidão das horas
um negrume espesso na espera
e violinos calados na noite

Há uma gruta angulosa
na formação das palavras
que nascem desgovernadas
e não consentem metáforas

Agora que as escrevo
gostaria de as sublimar
multicores e multiculturais
mas a página é branca
e não se mancha a pureza

Assim ficam:
excessivas
mas sentidas numa noite
Assim fico:
pintor sem cores
a manipular caracteres
Assim espero:
que o teu olhar me absolva
e o teu sorriso me contagie

Publicado por nocturnoplacido às 11:10 AM | Comentários (0)

março 08, 2005

Espelho quotidiano.

11085-2.jpg

por Malcom Thain

Publicado por nocturnoplacido às 10:31 AM | Comentários (0)

Percurso

De que lume me apaguei
de que cinzas me ergui
de que esperanças ressurgi
com que água me lavei
com que lágrimas sorri
com que vértices me moldei?
A que janelas espreitei
a que estrelas me entreguei
no dia em que te vi?
Era dezembro ou era verão
era sábado ou um dia qualquer
era do frio que te escondias
ou de mim sem eu saber?
Que percursos de gestos
que silêncios de névoa
que desenhos transcendentes
que flores por florir?
Nada começou
tudo estava no espaço do mistério
o coração não sabia da chegada da água
nem onde meter os caminhos
mas tudo era real e o coração batia
Num dia ao por do sol a veia sangrou
e as mãos descobriram
como nasce a manhã.

Publicado por nocturnoplacido às 10:14 AM | Comentários (1)

Exame

Que é um acto poético?-perguntou-lhe o professor do alto da cátedra, no tremelicar de um exame público na Universidade Diária das Mesas dos Cafés. Defina um acto poético.
A resposta parecia tão fácil que o examinando limitou-se a abrir a boca e esperar que a definição óbvia lhe voasse dos lábios sem esforço. Mas não voou. Pelo contrário: a língua tornou-se mais pesada de chumbo hesitante.
Enquanto eu, que assistia ao exame, recordava a minha última descoberta de vida empírica, expressa nesta sentença que esculpi no pedaço de mármore que trago sempre no bolso para lá eternizar as verdades provisórias que me acodem ao espírito nos momentos mais inesperados.
Exactamente esta: "Desconfia sempre das coisas aparentemente fáceis de explicar. A facilidade é uma máscara que onvém conservar o mais possível intacta. Às vezes esconde labirintos inextricáveis. Prefere os problemas difíceis".

José Gomes Ferreira, in Gaveta de Nuvens

Publicado por nocturnoplacido às 09:18 AM | Comentários (0)

março 07, 2005

Nas pedras

Nas cachoeiras do rio
nos quedamos. Sobre as pedras
roladas pela teimosia das águas
descansamos das lâminas dos dias
Somos a chama viva nas pedras
laço dos meus braços no teu peito
olhos agitados nas andorinhas regressadas
Escolhemos a tarde e a distância
entre o céu e a água
na espera do crepúsculo
que canta o silêncio do abraço
O que tudo antes era improvável
é agora a certeza que a objectiva fixou:
a abstracção de tudo
num beijo de amanhecer.

Publicado por nocturnoplacido às 02:19 PM | Comentários (0)

março 06, 2005

andorinhas.jpg

Ontem vi, pela primeira vez este ano, o primeiro bando de andorinhas.
Um sorriso interior de satisfação pela promessa do renascer de um novo ciclo de vida foi o que senti. Bem vindas.

Publicado por nocturnoplacido às 11:54 AM | Comentários (0)

março 05, 2005

MA5-Seele-kl.jpg
Makray Seele

Publicado por nocturnoplacido às 01:57 PM | Comentários (0)

Morrer-me no beijo

E Dezembro carregou a primavera
no dorso dos touros esquecidos
no dia do sol doirado
luz primeira do teu sorriso
Ou foi ontem que te encontrei
no instante entre lareiras
na hora do mundo
em que o sol nasceu mais cedo
Foi
sem mais nem menos
que o poema subiu mais alto
nas janelas iluminadas
para nos ver passar
É
(disse Florbela)
"é amar-te assim perdidamente...
é seres alma, e sangue, e vida em mim
e dizê-lo cantando a toda a gente!"
É
morrer-me no beijo
dos teus lábios de cetim
e florir-me na rosa eternamente.

Publicado por nocturnoplacido às 01:46 PM | Comentários (0)

estava menos frio

na noite de ontem. O concerto de Luis Represas foi bastante informal, e, talvez por isso, com um alinhamento menos cuidado. Relativamente curto mas mesmo assim com o artista a dar o máximo, na sua excelente voz, na interpretação das mais conhecidas músicas do seu repertório. Foi bonito, com alguns momentos quase comoventes.
Na minha mesa, doze amigos cantaram e enterneceram-se.
A mim motivou-me a a recordar Florbela Espanca e a escrever o post seguinte.

Publicado por nocturnoplacido às 01:36 PM | Comentários (0)

Ser poeta

FLORBELA01.jpg

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigi e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca, Sonetos

Publicado por nocturnoplacido às 01:30 PM | Comentários (1)

março 02, 2005

"Sol Incendiado"

é o título do novo livro de poesia deste escriba que será editado pela Hugin e lançado em Beja, no próximo dia 22 de Março (um dia depois do Dia Mundial da Poesia), na Biblioteca José Saramago.

Publicado por nocturnoplacido às 06:28 PM | Comentários (7)

Andar de patins em linha, passear, dar comida aos patos, visitar um museu, jogar mini-golf, dar um passeio no jardim botânico, ir a uma prova de vinhos, ir à estreia de uma exposição numa galeria de arte, passar a noite numa pousada, andar de cavalo, ir a um restaurante simples mas elegante, passear a pé pela cidade, ao cair da noite.
Eu que não sou muito dado a horóscopos, descobri isto como sendo o ideal para um encontro cativante comigo. Há duas coisas que nunca tinha pensado nelas, o resto bate certo. O mini-golf está a mais e nunca andei de cavalo, mas vá-se lá saber...

Publicado por nocturnoplacido às 02:52 PM | Comentários (0)

Mãos

maos.jpg

Há uma silhueta de certezas
nas tuas mãos
um tempo de abrir o decote da noite
que o futuro dos dias não tarda a trazer
A serenidade do teu olhar
promete-me a tranquilidade que adivinhamos
Temos em nós a água que prometemos
e as chamas que prodigalizamos
De coração despido contamos o tempo
da ingenuidade
porque só ingenuamente se pode amar
Dos tempos mal contados
fica o espaço por preencher de recusas
Há lâminas de areia
que corroem os minutos da ausência
Não me preencho de vazios
quero a certeza constante das tuas mãos
Quero a casa do teu corpo
em todos os momentos
como naqueles em que nos damos
porque é no vértice da água que nós somos.


Publicado por nocturnoplacido às 10:45 AM | Comentários (4)

março 01, 2005

red_door.jpg

Red Door de Henry Asencio


Quero da noite apenas
a cintura vermelha de um sonho.
A noite nasce num beijo
mil vezes ardido
mil vezes renovado.
Quero da noite ainda
os segundos cavalgados
na maciez vermelha do teu corpo
até a janela do sol se abrir.
Basta-me respirar-te
e esperar que me encontres
para que o sonho de cintura vermelha
se eternize
na ébria realidade
do veludo do teu olhar.


Publicado por nocturnoplacido às 10:46 AM | Comentários (2)