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junho 29, 2005
Uma noite de fados a atravessar a memória
Dor que o tempo leva a pouco e pouco
amor maior, imagem que cresce
lembrei-te nesta noite que não troco
memória que num fado acontece
Saíste de mim num dia bravio
procurei teu rosto em todos os cantos
rasguei o peito, enchi-me de frio
o inverno deixou uma chuva de prantos
Busquei a ternura com que falavas
senti a tua mão na minha face
encontrei-te na voz que não esqueço
Nos fados que ouvi tu lá estavas
hoje e por muito tempo que passe
sempre, meu pai, meu amigo, meu berço
Publicado por nocturnoplacido às 05:34 PM | Comentários (5)
junho 27, 2005

Fille D'orange por Mieke Chantrel
Ignotos os ventos que percorro
para escrever os versos que te dou
rios que venham em meu socorro
lavar-me do que o tempo não lavou
Sinos como pombas de catedral
espelhos que copiem o teu sorriso
linho de tâmaras, tecituras de vendaval
esta é a casa d'ouro que eu preciso
Instantes fortes de vinho e de mel
os que vivemos em êxtase e ardor
oceanos que lavramos na pele
Sulcos onde semeamos com labor
com suor e fogo de corcel
assim te quero sempre, meu amor
Publicado por nocturnoplacido às 12:13 PM | Comentários (2)
junho 23, 2005

Close to You por Joseph Lorusso
Perto de ti
a árvore escolhida
o meu respirar
uma mesa
altar
toalha de linho
uma prece
Perto de ti
há uma luz
coragem de orar
amando-te
Publicado por nocturnoplacido às 04:30 PM | Comentários (8)
junho 22, 2005

Somos no mar da madrugada
cabelos de ondas espraiadas
rosto aguardando o momento
que inundará o desejo
Juntos
na janela de ver os pássaros
interrogamos a lua nova
que nos prateia os corpos nus
Com o teu corpo nas minhas mãos
espero o gesto de encher o tempo
Publicado por nocturnoplacido às 03:49 PM | Comentários (9)
junho 17, 2005

Estes cardos de sol que me ferem
como sementes a rasgar a terra
são espinhos impiedosos de rosas secas
que me coroam a pele
Cercam-me as searas de pouco
e no chão das quatro da tarde
dançam fantasmas transparentes
A sede é um tormento
neste mês de cerejas
de matar a sede
Faltou-me a fonte dos teus olhos
nascente fresca onde tudo começa
e o rio do teu corpo que me esparge
Publicado por nocturnoplacido às 11:18 AM | Comentários (5)
junho 14, 2005

Ontem
as minhas horas foram as do vento
que emprestou à tarde
o movimento que o mar pedia
Da brisa colhemos as carícias
dos lábios o sal dos corpos
por entre os cabelos revoltos
assumava o sorriso do teu olhar
Na areia que o sol crestava
nos prometemos
e nos tomamos
Em homenagem a brisa calou-se
e a noite veio serena
na serenidade do nosso querer
Publicado por nocturnoplacido às 01:36 AM | Comentários (5)
junho 13, 2005
In Memoriam
Se pudesse, coroava-te de rosas
neste dia -
de rosas brancas e de folhas verdes,
tão jovens como tu, minha alegria
Terra onde os versos vão abrindo,
meu coração, não tem rosas para dar,
olhos meus, onde as águas vão subindo,
cerrai-vos, deixai de chorar.
Eugénio de Andrade, in As Mãos e os Frutos
Publicado por nocturnoplacido às 03:03 PM | Comentários (1)

Hoje estou triste e recolhido perante a memória de três homens que pelo seu exemplo determinado, a sua ideologia, a sua luta e a sua arte marcaram decisivamente a minha vida, o meu pensamento e as minhas escolhas.
Publicado por nocturnoplacido às 01:56 PM | Comentários (2)
junho 08, 2005

Demut und Liebe por Elvira Amrhein
Calor de cal
deslumbrando a saia comprida
que a faz parecer boneca
Mãos abertas
generosas na oferenda
do tacto trocado
enchendo baús de lírios
em tempo minguado de trigo
Tão confiante no que vê
tão segura de ser
ancorada no sol
mergulhada de luares
boneca branca de corpo moreno
incêndio nos olhos
pureza da cal
Publicado por nocturnoplacido às 07:03 PM | Comentários (2)
junho 07, 2005
Àqueles que por hábito, gosto, ou qualquer outra razão, aqui se detêm alguns momentos, peço que me desculpem por ter postado muito pouco nos últimos tempos. Não é menor vontade ou desconsideração para connvosco mas enorme dificuldade na gestão do tempo.
Publicado por nocturnoplacido às 04:32 PM | Comentários (2)
junho 01, 2005

To Love You por Sabzy
Recolhendo os restos da primavera
acaricio os dias de flores
sentado na soleira das tardes
a ver navegar os barcos
Procuro uma falha no tempo
onde guardar o rosmaninho do teu olhar
esse mel escuro
que a primavera adoçou
Aqui sentado
recordo os instantes sublimes
e preparo nos barcos
a paixão das travessias
que a música da tua voz
epopeia de violinos
me promete
Publicado por nocturnoplacido às 12:30 PM | Comentários (7)