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julho 28, 2005
Que sei eu
Queria subir ao alto de ti
para saber mais do amor
para saber como se acende uma flor
na chama
Queria estar acima de mim
para saber das aves do dia
que a noite reclama
para saber porque te beijo assim
E se só sei o que me é dado saber
que o cordame da vida me adormeça
e lânguido no teu corpo permaneça
a decifrar os pássaros do entardecer
Publicado por nocturnoplacido às 07:57 PM | Comentários (7)
julho 25, 2005
As mãos fechadas no teu peito e o
vestido azul caído aos pés da cama.
(Teu corpo de mulher é belo nu
e ainda mais belo quando ama).
Os meus beijos são potros que te mordem
os seios e as coxas e os cabelos
para que os minutos todos nos acordem
e nunca mais possamos esquecê-los.
E penetrando em ti perdidamente
atravesso mil bosques pela estrada
que há dentro de teu sexo e lentamente
tu ficas nos meus braços espantada
como se o mundo fosse de repente
acabar-se em plena madrugada.
Joaquim Pessoa, 125 poemas - Antologia Poética
Publicado por nocturnoplacido às 02:29 PM | Comentários (4)
julho 13, 2005

Baby de Jack Vettriano
As tuas costas cheiram a conchas
prenhes de luar
Os seixos rolados pelo mar
têm a textura dos teus seios
sublimes se molhados
As tuas mãos são pêssegos
que se abrem em sumo no meu peito
Afogas-te na minha boca
no instante em que nadas
no oceano do meu corpo
Neste verão que nos escurece a pele
e de branco nos vestimos
é sobre o branco que o branco nos impele
porque Branco é o Amor que sentimos
Publicado por nocturnoplacido às 07:53 PM | Comentários (6)
julho 12, 2005

Publicado por nocturnoplacido às 09:02 AM
julho 11, 2005
Ontem, ao fim da tarde
O amor é uma ave irrequieta
que tenho na garganta
É voo de cegonhas
ou de milhafres
Asas secretas e breves umas
nítidas e sem tempo outras
Assim sobrevoo os flancos da madrugada
me dispo dentro das palavras
plano num campo de estevas
e abraço o cheiro da maresia
Como ontem
deixo que uma cascata de desejo
caia na pele cremosa do teu corpo
Publicado por nocturnoplacido às 05:07 PM | Comentários (2)
julho 07, 2005

O silêncio, o calor, os odores
os sons ao cair da tarde
o cheiro a terra molhada
a simplicidade de um sorriso
o olhar perdido no horizonte
uma árvore, um barco à deriva
A sensação de liberdade
pertença a uma essência maior
um estado quase selvagem
primitivo, sem fronteiras
a procura incessante de quase tudo
a falta de quase nada
a vida contida nos limites da pele
uma força maior
uma dor na alma
Assim sou eu
Belimunda
Publicado por nocturnoplacido às 05:45 PM | Comentários (4)
julho 04, 2005

Publicado por nocturnoplacido às 09:29 PM | Comentários (1)
Contenho a respiração dos poentes
como mordo as palavras que não sei
e as dispo do pó do nascimento
Sorvo das veias a seiva que me dás
o azul do sol o sal das horas
tudo o que de ti me preenche
É de lava a hora deste poente
que em ti abraço
É num barco sem leme
que por ti navego
É nos dentes que trago a raiva de uma bandeira
É no teu mel que disseco as lâminas
É em ti que tudo se explica
até as palavras que o meu respirar contém
Publicado por nocturnoplacido às 09:20 PM | Comentários (2)