janeiro 30, 2006
A minha canção não está neste tempo
(música e letra que deito ao vento):
está na voz dos marinheiros de águas do espaço
dos caminhantes de ignotos caminhos
na voz das estrelas
dos que sonham com revoluções caladas
no voo das mentes para muitas lonjuras
A minha canção
não está na insanidade da memória,
está num cofre sem código nem cifra
guardado pelo medo que os guerreiros temem
e só os poetas sabem abrir
porque intuem pelo sonho
Publicado por nocturnoplacido às 05:08 PM | Comentários (3) | TrackBack
janeiro 13, 2006
Sinto-me no lado oposto da palavra
diante de um posfácio por escrever
de um livro em branco
cheio de poemas indizíveis
É como se estivesse no outro lado da alma
ou como se eu e ela fôssemos agora
e não antes nem depois
- e no entanto somos há tanto tempo –
num tempo sem tempo
nesta ponta do universo
onde nem sempre escrevemos Amor
Garatujo palavras para quê
se belo é a música
e tudo o que me rodeia
Poesia para quê
se ela está aí... sem palavras
Publicado por nocturnoplacido às 11:57 AM | Comentários (4) | TrackBack
janeiro 12, 2006
Nos lábios do poeta
há comissuras de raiva
quando a alma do poema
não sobe à altura da árvore
Volteiam as palavras
num rodopio surdo de vento
letargia de memórias
Preciso da água primeira
do que está antes da água
ou mesmo antes do útero
Palavras novas
palavras de sabores de infância
das que me libertam
para usar no poema
sem lábios de raiva
com alma à altura da árvore
Publicado por nocturnoplacido às 12:12 AM | Comentários (1) | TrackBack
janeiro 03, 2006
O frio brando do branco
em flocos sobre os ombros
afagos de cristais do céu
preenchendo de linho rendilhado
as árvores e o teu cabelo
Soubessem os deuses
que o branco tem todas as cores
deste amor em branco guardado
Publicado por nocturnoplacido às 03:26 PM | Comentários (2) | TrackBack